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Dentro do peito afogada

Embora todas as expectativas, não entendi por que esse mês foi tão difícil pra mim.
Não é problema com o meu amor, esse vai muito bem, obrigada!
É comigo mesma, é com o mundo, com tudo que ainda não é. É com o trabalho, com a minha independência.
O problema maior é com o meu nariz que ainda não é totalmente meu. Que ironia! É esse signo da falta, como diria a Maria Rezende.
A minha vida está atrasada e o tempo se esvaindo sem dó nem pena.
E até pra expressar essa dor, essa ansiedade, esse medo de não viver o que tanto quero, encontrei uma poesia no Bendita Palavra:

DENTRO DO PEITO AFOGADA
choro lágrimas tortas
choro as certezas mortas
na calmaria da cama

O chão coalhado de dúvidas
tropeça meus pés vermelhos
se levanto, cambaleio
se deito evaparo no ar

Feito um bicho no escuro
mas curva que aconchegada
desentendo a dor que sinto
desentendo o mundo todo
e seu estúpido funcionamento

Quero o ’sim’ que hoje não veio
quero amanhã confirmado
e não importa se virá

A vida é um eterno arriscar-se
é o intervalo dos planos
e o pra sempre é outro dia
sempre longe, sempre lá

Eu quero o aqui e o agora

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Coisas que passam pela minha cabeça…

Xiiiiii…. melhor não falar. Vou acabar por afrontar! E muita gente não me acompanha, ESSA É A VERDADE!!! Calma! Falei na boa, não costumo ser arrogante! Mas pra não ficar sem dizer nada, se não fosse o fato do meu passarinho não ter asas… Ahhh… ele estaria voando… alternando entre vôos altos e rasantes, daqueles que desafiam a própria existência! Quando lá no alto seria fácil confundi-lo com um avião caça, dado a sua força e velocidade com vôos imponentes. No chão seria uma visão hipnotizadora, beleza caracterizada pelo porte arrebatador. E de perto com olhar cintilante e jeito cativante não teria mais a aparência de um pássaro para aqueles que ousassem encará-lo, teria a forma de VIDA, algo indescritível, incompreensível e fascinante, como o infinito propriamente dito. E como tudo que é digno da vida, o meu passáro voaria sempre por amor! Tadinho do meu pássaro sem asas, quanto tempo ele viverá mais? Limitado, triste, tão pequeno e fora do seu contexto. Ele às vezes olha para mim e diz: Por que tinha que ser assim? – lamenta o meu passarinho sem asas! Mas eu cuido dele. Estou por perto e o levo comigo sempre que possível para aproveitar um pouco do que também tenho. E ele vem todo bobo, ávido por novas vistas, paisagens, cantando e encantando apesar de sua condição. Pena, que são poucos que percebem o seu canto, a sua intensidade… parece que até o amor o discriminou. O que seria do meu pássaro se não fosse eu? Os dias de sol e ceú azul são os mais tristes para o meu passarinho sem asas que só sonha em ser pleno voando por aí…

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RÊ-NASCER SIMPLES-MENTE

A vida prega peça. E eu me sinto como o bobo da corte, ou melhor, como aquele boneco João bobo pra lá e pra cá. Talvez como um barquinho à deriva no mar… sim, tão solitária quanto! Pior que solitária, frustrada! O mundo e seus problemas. O que estou fazendo no meio disso tudo? Que diferença faço? Que diferença faz alguém que só plantou 214 mudas de pitanga e 70 mudas de Schefflera arborícola, não tem um filho e não escreveu um livro? Vou explicar melhor. Que diferença faz alguém que mora nesse fim de mundo, não tem dinheiro para fazer nada, absolutamente nada, odeia sua profissão e segue com suas idéias sem efeito e coração remendado e oco? Tudo bem… sei que tenho família, amigos, saúde, até um gato e um cachorro, sei que o céu é lindo, que já tive sorte muitas vezes. Então por que essa estagnação? Toda essa dificuldade e insatisfação? Esse desânimo? Esse baldar incessante? Não venha me dizer que estou sendo pessimista ou que tudo isso é fruto do que não plantei ou até mesmo que isso não passa de uma crise dos 30 anos! Ao longo desses anos os meus ideais e as buscas foram nobres. Sempre prevaleceu no meu íntimo o desejo do viver simples-mente com amor. Parece que bastou eu querer para não ter, incrível! Todas as possibilidades se desvaneceram pouco a pouco como os segundos que passam irrecuperáveis. Alguns muitos tropeços atrasaram mais ainda. E como sabemos, só caindo pra poder levantar e continuar seguindo. Mas vou dizer uma coisa… cair durante um percurso é normal, acontece com todo mundo, mas por que no meu caminho existem tantas pedras? Gostaria de saber. Sinto-me sabotada. Não vítima, sabotada! Algumas pessoas me olham e logo concluem dizendo: Rê! Como você é bonita, inteligente, agradável, cheia de expediente! Que potencial! Em seguida, penso: Então, cadê a porra da oportunidade de solução? Cadê a porra da porta que não se abre? Serve uma janela, já disse mil vezes! Cadê o bendito amor possível e verdadeiro? Tudo que vem, vai e tristeza não tem fim, felicidade sim? Mas que merda!  Desculpem-me mas tenho que xingar! Ao menos isso pra extravazar! Já outras pessoas não comentam o que pensam sobre mim e como não tenho bola de cristal, vou morrer sem saber. Até arriscaria um palpite, mas procuro não pensar nisso, enlouqueceria com o horror do imaginário! E, poucas, bem poucas pessoas tiveram coragem de me afrontar na cara. Em algumas situações dei a mão à palmatória, em outras acabei engolindo o sapo e em outras respondi à altura. Descobri que ninguém melhor do que eu mesma pra me defender. Eu sei das minhas razões e dos meus sentidos! Contudo, não me julgo auto-suficiente, se me julgasse não sentiria solidão e nem essa frustração. Oh Renata, a eterna insatisfeita! Será? Não, não e não! Já estive satisfeita muitas vezes… lembro bem! Mas não há como me conformar com a falta que sinto de tudo que já prospectei… a minha saudade está lá… na mesma dimensão que minhas idéias, meus sonhos, meus devaneios! Lá, só lá, de forma até agora inalcançável, estão as possibilidades de tudo que pode exaltar meu ser, como uma garrafa de champagne pronta pra estourar e transbordar em borbulhas brindando a vida no real sentido total-mente, plena-mente, digna-mente, satisfatoria-mente e simples-mente, exclamo cinco vezes!!!!! Chega de mente, essa mente demente! Resignação parece ser a ordem, a conclusão dos últimos acontecimentos. Tudo aceitar! Vou perguntar nova-mente com essa mente demente: O que faço aqui então? Definitiva-(de)mente não me encaixo nesse contexto. Deus escreveu por linhas tortas demais quando traçou o meu destino. No dia em que eu aceitar o vazio, essa estagnação, é porque terei me transformado num vegetal ou vagarei por aí perdida-mente demente. Calma! Não estou desistindo de nada, só reclamando, extravasando, tentando encontrar uma maneira de estancar o que parece querer me dilacerar. Meu Deus, anseio por um clarão, uma novidade, uma verdade, um porto para o meu barquinho à deriva. Não me desampare! A Renata dos meus sentidos só quer um sentido para final-mente desabrochar. Um sentido que faça essa fênix Rê-nascer dessa estagnação e assim viver com o coração batendo forte, cheio de amor – o verdadeiro e único sentido da vida!

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Passarim

Realmente a vida prega peça! Não há como pressentir o momento em que tudo vai dar errado (ou certo). Um sobressalto a cada segundo. Notícias enjoativas nos jornais e o dissabor insuportável de tudo que parecia perfeito, puro, honesto, verdadeiro, bonito, salutar, vigoroso, forte, vivo, encantador, sublime, transcendente e final-mente acertado! “Os homens deviam ser o que parecem, ou, pelo menos, não parecerem o que não são”. Não haveria evanescência e nenhuma mágoa sangraria o coração. “A mágoa altera as estações e as horas de repouso, fazendo da noite dia e do dia noite”. Por que juram? Isso é pecado. Dói. “As juras mais fortes consomem-se no fogo da paixão como a mais simples palha”. E “de todas as paixões baixas, o medo é a mais amaldiçoada”. “Oh! Que formosa aparência tem a falsidade!”!!! Acreditar? Para que? Sofrer?! Por que sentimos necessidade de amar?

Porque “é muito melhor viver sem felicidade do que sem amor” – disse Shakespeare.

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro partiu mas não pegou
Passarinho me conta então me diz
Porque que eu também não fui feliz
Me diz o que eu faço da paixão
Que me devora o coração
Que me devora o coração
Que me maltrata o coração
Que me maltrata o coração
E o mato que é bom, o fogo queimou
Cadê o fogo, a água apagou
E cadê a água, o boi bebeu
Cadê o amor, o gato comeu
E a cinza espalhou
E a chuva carregou
Cadê meu amor que o vento levou
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho me conta então me diz
Por que que eu também não fui feliz
Cadê meu amor minha canção
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão
Cadê meu caminho a água levou
Cadê meu rastro, a chuva apagou
E a minha casa, o rio carregou
E o meu amor me abandonou
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou
E passou o tempo e o vento levou
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho me conta então, me diz
Por que que eu também não fui feliz
Cadê meu amor minha canção
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão
E a luz da manhã, o dia queimou
Cadê o dia, envelheceu
E a tarde caiu e o sol morreu
E de repente escureceu
E a lua então brilhou
Depois sumiu no breu
E ficou tão frio que amanheceu
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar não deu
Voou, voou, voou, voou, voou

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