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Dentro do peito afogada

Embora todas as expectativas, não entendi por que esse mês foi tão difícil pra mim.
Não é problema com o meu amor, esse vai muito bem, obrigada!
É comigo mesma, é com o mundo, com tudo que ainda não é. É com o trabalho, com a minha independência.
O problema maior é com o meu nariz que ainda não é totalmente meu. Que ironia! É esse signo da falta, como diria a Maria Rezende.
A minha vida está atrasada e o tempo se esvaindo sem dó nem pena.
E até pra expressar essa dor, essa ansiedade, esse medo de não viver o que tanto quero, encontrei uma poesia no Bendita Palavra:

DENTRO DO PEITO AFOGADA
choro lágrimas tortas
choro as certezas mortas
na calmaria da cama

O chão coalhado de dúvidas
tropeça meus pés vermelhos
se levanto, cambaleio
se deito evaparo no ar

Feito um bicho no escuro
mas curva que aconchegada
desentendo a dor que sinto
desentendo o mundo todo
e seu estúpido funcionamento

Quero o ’sim’ que hoje não veio
quero amanhã confirmado
e não importa se virá

A vida é um eterno arriscar-se
é o intervalo dos planos
e o pra sempre é outro dia
sempre longe, sempre lá

Eu quero o aqui e o agora

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PROMETÊNIX

Em ritmo de Patrícia Evans, lá vai outra poesia com a qual me identifiquei muuuuito!  Esse lance de Reinventar-se é a melhor filosofia de vida que conheço. As mudanças são sempre pra melhor, definitivamente. A apatia não combina comigo, com nenhum ser.  Choro, me morro, mas me -integro com força total! Que assim seja com todo mundo! Porque a vida, digna de esperança, é pra ser vivida até o último sopro.

PROMETÊNIX
(© Patrícia Evans)

Eu me renovo a cada dia,
em cada unha,
em cada cílio ou cabelo,
em cada sonho pueril, que eu supunha
e era mero pesadelo.

Eu me transformo a cada dor,
a cada punhalada do destino,
a cada horror
em constatar não ter vivido,
mesmo que por breve instante,
alguma chama flamejante,
que fizesse despertar a libido.

Eu me morro a cada perda
e me converto na eucaristia,
para que Deus me conceda
ressurreição ao terceiro dia.

E mesmo que sangre um pouco
e que haja choro em cada meu velório,
não há de haver outro morto,
e eis que esse é meu espólio,
que tenha vivido tão ardentemente!

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CREDO EM CRUZ

Estou louca pra ver todas as minhas amigas bem casadas (falando como quem já fosse, repararam? Hahah…) principalmente aquelas que resistem a um compromisso mais sério, por uma simples razão: todo ser humano precisa de um par.
Sei que é difícil, que não depende só de uma simples vontade, mas pensando melhor, depende sim. Depende de um querer sem ranço de outro amor. Depende de coragem, de fé no amor. De um apelo sobrenatural pra seja lá qual for a divindade.
Porque nessas horas, meu camará, todo mundo sabe que o santo é o que menos importa e sim o milagre, o amor, que mais parece uma sangria desatada até se firmar ou morrer de vez, sempre com a possibilidade de renascer das cinzas.
Aos amantes desesperados, lá vai uma reza forte, que só a genialidade da Patrícia poderia inventar:

CREDO EM CRUZ
(© Patrícia Evans)

Credo em cruz, Ave! Maria.
Pé de pato mangalô treis veiz:
sai de mim a falta que você me faz.
Salve, Rainha, me dá sua paz!
Subo escada da Penha de joelhos.
Sangue da chaga, escorra.
Monta logo este cavalo branco,
vem e me salva, porra!
Longe de mim esta insanidade,
me abençoe, ó Santíssima Trindade…
Se não por meu amor,
que seja pelo amor de Deus,
mas não me negue um segundo mais
seu corpo exorcismando o meu.

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Parabéns, Maria da poesia!

Hoje é um dia especial, é o aniversário da Maria da poesia! Que merece sim mais uma singela homenagem neste blog por sua sensibilidade e benditas palavras! Não há uma pessoa pra quem eu mostre uma de suas poesias que não fique de certa forma tocada.

E como o meu final de semana promete ser muuuito romântico, apesar de, lá vai mais uma obra-prima:

NO ESCURO DOS OLHOS FECHADOS ME EQUILIBRAR NO DESEJO
a cama fluida como mar
o peito macio de ar e de risos
susurros suspiros sumiços no espaço

Detestos seus banhos em outras banheiras
e as músicas lindas que tinha por lá
tudo teu bonito eu quero
o de agora e o de depois
o de antes – o de antes

Quero o que dói e o que grita
teu suor, teus sonhos ruins
quero ser cura e veneno
quero o prazer mais pequeno que você puder sentir

Quando o planeta rugir
e o infinito for possível em todas as direções
quero ser eu nos teus dentes
teu nome em mim feito um filho
feito gente
feito carne de pegar

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Coincidência

MUITO MAIS QUE UM POEMA
alguma coisa que arde
e ao mesmo tempo serena
alguma planta que morde
e ao mesmo tempo semeia
metade monstro
metade sereia
cachorro de raça lambendo a minha mão

Muito mais que romance
muito mais que novela
você na minha vida é aquele que gera
o que espera
o que fica
o que vive as idades
você que sempre foi minha saudade
homem imenso que chegou sem avisar

Homem cubista
muitas partes
muitos todos
homem sonoro
voz que escorre pelo ouvido
homem de ver
homem de ter
homem de nunca mais largar

A Maria Rezende dedicou esse poema ao Rodrigo da vida dela. Que coincidência! Também tenho um Rodrigo que sempre foi minha saudade. Homem imenso que chegou sem avisar. Homem de ver, homem de ter, homem de nunca mais largar. A quem dedico esses versos, com amor! Love you, baby!

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Sobre a lua…

Satélite reencantado

MARCOS NOBRE (Folha de SP – 21/07/09)

NO INÍCIO DA década de 1960, JFK estabeleceu a meta de andar sobre solo lunar. Quase ao mesmo tempo, Manuel Bandeira exprimia a ambiguidade dessa experiência em seu poema “Satélite”.
Pode ser um alívio a lua deixar de ser fonte de mistério, melancolia e projeções românticas. Ao sumir do horizonte sentimental, deixa de servir de ícone da decepção amorosa mais recente e leva com ela uma tralha poética que já não tem mesmo muito a dizer. Mas, de outro lado, esse despojamento de metáforas e mitos só pode ser vivido por alguém “fatigado de mais-valia”, por quem se encontra submetido à rotina alienante do trabalho capitalista.
Aqui, o que parecia estar em via de desaparecer era o encantamento da natureza. De alguma forma, a própria ciência pretendia colocar esse encantamento a seu serviço, pretendia traduzir impulsos mágicos em termos de mistérios por desvendar.
É o envelhecimento desse projeto que surge agora com mais clareza nas celebrações dos 40 anos da chegada à lua. A sensação é que todo aquele esforço e parafernália técnica tiveram o mesmo destino da tralha poética ambiguamente enterrada por Bandeira.
A partir da década de 1970, a pretensa neutralidade da ciência foi duramente combatida por diversos movimentos sociais, com destaque para aqueles que se colocaram contra a energia nuclear. Denunciavam a ciência como uma maneira de encobrir uma dominação política. O programa espacial dos EUA era um exemplo perfeito, já que fazia parte de uma estratégia muito mais ampla de ganhar a Guerra Fria, tanto em termos militares quanto ideológicos.
Hoje, as avaliações parecem se dividir unicamente entre quem acha que a conquista do espaço pode ainda render frutos econômicos e científicos e quem vê aí um desperdício de tempo e de dinheiro.
Nada mais resta daquele encantamento que transparecia nas séries de TV e nos filmes que faziam as crianças quererem ser astronautas ou cientistas.
Talvez não apenas porque a ciência tenha perdido muito de seu poder de encantamento. Talvez porque a própria lua tenha retomado, em alguma medida, seu “velho segredo de melancolia”. E a TV e os filmes foram aqui mais uma vez decisivos. A série “Guerra nas Estrelas” inaugurou, a partir de 1977, uma utilização de recursos de efeitos especiais que permitiram um rápido descolamento daquela tralha de foguetes que caracterizou os seriados e filmes anteriores.
O satélite de Bandeira surgia ainda no céu de fim de tarde. A lua reencantada já ia alta quando o ET e Elliot fizeram seu voo de bicicleta.

Satélite

MANUEL BANDEIRA

Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas tão-somente
Satélite.

Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.

Adorei o texto do Nobre, o impacto foi ótimo! Apesar de toda a tecnologia, a natureza, que é poética por si só, insurge-se sempre com força e encantamento total. E o homem não escapa da certeza de sua subcondição. Daí o reencantamento. Não há  tecnologia ou poesia de Manuel Bandeira que por mais genial em crítica e frieza rebaixe o esplendor do que o universo nos serve. Do homem espera-se a secura daquilo que sua mente não alcança.  Da lua alta quem sabe virá a conquista (humanização) do próprio homem? Quem viver, verá!

E conversando sobre isso tudo com o meu queridíssimo Freitas, ele lembrou de uma música do Gilberto GilLunik 9 – que simplesmente é genial. Ali já existia um medo anunciado e cantado sobre a ambição do ser humano.  Por sorte, a tecnologia não evoluiu muito de lá pra cá. Tudo se limitou a meros pulinhos em meio à gravidade lunar. Já pensou quanto estaria custando a luz do luar nos dias de hoje? Os olhos da cara!!!

Para ouvir a música clique aqui e no alto-falante que aparecerá ao lado do nome da música – Lunik 9 – de 1967, ou seja, antes de Neil Armstrong!!! Antigaça!

♫  Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar
Momento histórico, simples resultado do desenvolvimento da ciência viva
Afirmação do homem normal, gradativa sobre o universo natural
Sei lá que mais
Ah, sim! Os místicos também profetizando em tudo o fim do mundo
E em tudo o início dos tempos do além
Em cada consciência, em todos os confins
Da nova guerra ouvem-se os clarins
Guerra diferente das tradicionais, guerra de astronautas nos espaços siderais
E tudo isso em meio às discussões, muitos palpites, mil opiniões
Um fato só já existe que ninguém pode negar, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, já!
E lá se foi o homem conquistar os mundos lá se foi
Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi
Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão:
A lua foi alcançada afinal, muito bem, confesso que estou contente também
A mim me resta disso tudo uma tristeza só
Talvez não tenha mais luar pra clarear minha canção
O que será do verso sem luar?
O que será do mar, da flor, do violão?
Tenho pensado tanto, mas nem sei
Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar
♫ ♫  ♫

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O amor é mudo

Ando meio tolhida para escrever aqui no meu blog. Como a intenção era sempre escrever sobre as minhas experiências, sensações e mudanças, agora que tudo está acontecendo, não posso. Não posso expor a minha atual experiência como gostaria.
Estou amando de verdade mas não convém escancarar os detalhes da minha relação, do meu amor, da nossa vida a vida. É tudo tão recente ainda e ao mesmo tempo tão antigo. Um mês e pouco só e tanta coisa já aconteceu, parece um ano, parece loucura sentir assim.
O nosso encontro foi como uma explosão, tudo de uma vez, sem nhe-nhe-nhem. E está sendo uma explosão em slow motion, porque estamos curtindo cada átimo de segundo e… chega! Não posso mais falar um A! Isso é estranho mas é uma forma de proteger o que tenho.
E falando sobre o que não pode ser dito, acabei de me lembrar de uma poesia do Gullar que inclusive já postei aqui. Simplesmente é genial. Há um trecho que neste momento me toca de forma muito peculiar:

“portanto
o meu assunto
é o não-dito não
o sublime indizível
mas o fortuito
e possível
de ser dito
e não o é
por descuido
ou por intuito
já que
somente a própria coisa
se diz toda
(por ser muda)”

O amor é uma coisa que se sente, é mudo por natureza por ser inexplicável. Existe como um todo, mesmo que se queira negar, que não é o caso. Apenas dispensa comentários,

“porque
por mais que diga
e porque disse
sempre restará
no dito o mudo
o por dizer
já que não é da linguagem
dizer tudo”

Como diz o poeta:

a fala, meu amor,
não fede nem cheira

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História de amor? YES!

Eu que ria do twitter

Ia contar aqui no meu blog a história de amor de um casal que se conheceu pela internet anos atrás e vivem juntos até hoje com direito a filha e uma vida totalmente em comum em Portugal, mas antes de contar essa história, que por sinal já é bastante conhecida, agora posso contar uma que acaba de começar, da qual inclusive SOU PROTAGONISTA!
Não precisei sair de casa à procura de um romance. Ele praticamente caiu do céu, de um céu moderno sobre um mar virtual e me serviu como uma luva, que me aqueceu o corpo e a alma.
Ele me trouxe uma possibilidade no dia em que estivemos juntos pela primeira vez, no dia em que ele também não cogitava nada além de uma simples apresentação à mesa de um delica.
A sua mão quente descobriu o gelo da minha e por instinto resolveu aquecê-la. A minha mão gelada gelou mais ainda pela audácia da proximidade, mas não deixou de segurar a dele também e entrelaçar os nossos dedos.
Foi um gesto tão natural que diante da menor necessidade de soltarmos as nossas mãos, percebi o quanto o movimento era abrupto. E, nesse exato momento, sem mais nem menos, o atrevido segurou o meu tornozelo com firmeza ainda que pulando muitas etapas para tal intimidade e me mostrou todo o cuidado que uma pessoa até então estranha não teria com o meu frio.
Foi A pegada fatal! Já podia ouvir um tum-tum-tum dentro do meu peito, que tentei abafar, juro. O nosso desenrolar estava sendo tão perfeito, que parecia mentira.
Mas a verdade é que dali em diante nada mais parecia estranho. Era loucura achar que haveria algo bom, como um amor daqueles de cinema, mas também era loucura duvidar do que as nossas mãos já tinham anunciado.
Todos os minutos seguintes foram serenos e doces. A novidade de nós dois parecia-nos tão velha conhecida, que naquela mesma noite ele quis me beijar e eu disse SIM, beijando-o!

De lambuja segue uma poesia da Maria Rezende que tem tudo a ver com a intensidade deste momento:

DIAS DE AFÃ E FRENESI
fudendo homens magros e a cabeça pelas noites

O amor apareceu e foi quase banal
foi como se fosse normal aquele olhar entre os passantes
como se houvesse ainda cavalo e, portanto, rédeas
quando na verdade era tudo já galope, disparada

Pode conter mais tremor o caseiro que o mundano?
pode o veneno habitar o lar?
cabem certezas na inquietude?

O amor é jangada de pedra,
ilha desconhecida
barco sempre à deriva

Se pode gritar “terra à vista!”
mas não pisar lá – terra firme
o amor é navegar

Ele é R como eu, botafogo, mangueirense, é o Big em quem pretendo me derr-amar

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Não posso dormir sem contar esta

Ontem à noite, de repente, o tempo fechou bem em cima da minha cabeça. A minha imaginação definitivamente não estava nos seus melhores dias. Fui dormir triste da vida, acordei macambúzia e sorumbática, conclusão: tive um dia difícil por causa de um motivo à toa, uma coisa boba mesmo que poderia ter passado despercebida.
Se estava certa ou não, pouco importa, exagerei e me deprimi. Isso que é realmente triste, apesar de engraçado! Agora só me resta rir de mim mesma: Rarará! Grande Renata!
Aproveitando que faltam duas horinhas para o dia de hoje acabar e o fato de estar me sentindo bem melhor, vou deixar aqui mais uma da Maria da Poesia que retrata muito bem  o drama que vivi de ontem pra hoje e que me faz lembrar uma pessoa queridíssima que sempre que percebe em mim um certo mau humor, diz assim: não me faça malcriação!

TANTO ESFORÇO PRA SER BOA
Que acabei malcriada

Cada ‘não’ que escuto ou sinto
cada buraco na estrada
me atira de catapulta
num precipício de facas

E cada ‘não’ que não digo
Me afasta de um pulo e sempre
de ser a mulher que eu quero
e aniquila meu desejo
e confunde meu desejo
já não sei o que desejo
nem como é desejar
com toda a força aguda
que uma gente inteira tem

Meus dias são tropeçar
passos leves pelas casas
que é pra não incomodar
com o barulho da queda

E o som de todos os ‘nãos’
-os ouvidos e engolidos-
ressoa como granizo
no telhado de onde vivo
e não me deixa dormir

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Musa do século XXI

Vou aproveitar o ensejo do mês de março, o dito mês das mulheres, e algumas conversas que rolam, inclusive, na blogosfera para atacar de Maria Rezende de novo. A Maria, aquela da poesia, artista contemporânea, você não conhece?

maria da poesia

As mulheres passaram muito tempo subjugadas, sem dúvida. Até que inventaram o feminismo. Acho que foi um movimento manipulado pelos homens, só pode! Nunca vi nada ser tão distorcido. Igualar sexos que são distintos por natureza. Hahahah.. Que fiasco!

Acreditem, ainda vivemos numa sociedade machista. A mulher, além de ser mulher, tem que ser homem. Ganhou mais atribuições e continua com um salário desproporcional.

Ai dela, se bancar a fragilzinha! A situação é tão crítica que mesmo que quisesse não daria. Tem que ser…

Gata, gostosa, tesudinha:

dá de quatro, dá de lado e ainda dá a bundinha.

Aberta, relax, super moderninha:

divide o namorado com hippies e patricinhas.

Séria, independente, meio estressadinha:

tem sua própria casa e paga as contas sozinha.

Culta, inteligente, artisticazinha:

Cita filosofia, curte música e um cineminha.

Doce, prendada, jeitosinha:

lava a roupa, arruma a casa e ainda cozinha.

Faz a unha, faz uns bicos, faz café, faz 69,

busca o cara no seu carro e ainda dirige pro motel.

Compra frutas, roupa nova, se depila e lê de tudo,

tem email, tem um blog, tem crédito no celular.

Não pede ajuda, não liga pra bagunça, não chora à toa, não fala demais.

Não é careta nem doidona,

adora esportes na tv e sexo de madrugada,

não fala em filhos nem casamento

e cuida sozinha da anticoncepção.

Por ela suspiram os machos do século 21,

e por causa dela sofrem as fêmeas,

meros projetos de musa,

nós, mulheres reais.

Esse é o resumo do que devemos ser, antes que o século XXI nos atropele.

Quando saio com as minhas amigas, as queixas são praticamente iguais. Falta de homem, autonomia e paz.

A cada dez mulheres solteiras, duas são relativamente independentes. Afinal, não dá para ter sorte no amor e nos negócios ao mesmo tempo. Leva-se uma vida meia-boca, nenhum amor de cinema ou dinheiro suficiente para gozar a vida, literalmente.

Pior é que na maioria dos casos, não existe independência relativa nem total. Coisa mais difícil é sair da casa dos pais ou sair e não precisar do reforço da ‘mesada’ no final do mês.

E incrivelmente as mulheres independentes que conheço são (muito bem) casadas. Não porque dependem do marido e sim porque uniram forças e deu certo. Elas trabalham, são esposas, são mães e felizes. Diria até que são mais que independentes, são completas. Do jeito que todas querem ser.

Homens, homens! Se existe algum segredo entre nós mulheres, é que queremos apenas viver de amor sincero, exatamente como naquela antiga música do Tim Maia. Dinheiro é consequência. O amor, a maior motivação!!! Mulher que se preza quer uma vida a dois. Sem essa de autossuficiência, pura ilusão! Solidão tardia e implacável.

Mas o problema da mulher é ainda muito mais grave. Amor dentro de si não falta. Tanto que ela virou homem, faz de tudo um pouco e ainda toma um chopp. O problema é a falta do homem com H maiúsculo, já que boa parte deles debandou, desmunhecou e a que sobrou ou já está devidamente comprometida ou integra o grupo de machistas que ainda subalterniza a mulher e banaliza seu gênero. Ai que raiva e pena das bobas que caem no papo-furado desses cretinos (se serve de consolo, já caí algumas vezes!).

Não sei porquê a história tomou esse rumo logo no século XXI, que exige de mim ser musa, que esdrúxulo!, enquanto na verdade gostaria de ser princesa (A Drika que o diga! Também não conhece essa louca.mente?).

E antes de finalizar, quero ressaltar que as minhas amigas que são independentes, felizes e completas no casamento, também possuem maridos tão realizados quanto. Juro! Eles não querem outra vida! Casamento é instituição falida o escambau! Isso é conversa de gente medrosa, que não sabe amar, que não sabe que pode casar mais de uma vez.

O que todos procuram é a felicidade nos braços de alguém, a base de tudo, os que rejeitam essa idéia, estão mentindo descaradamente. A fila nunca para de andar. A eterna busca do par perfeito. A ver-da-dei-ra oportunidade.

amor

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Queria…

Gula de viver & Gullar X

… dizer tanta coisa. Mas é indizível o que sinto e penso neste momento. Melhor mesmo não falar. Como diz o poeta sujo: No dito o mudo restará!


DESORDEM

meu assunto por enquanto é a desordem
o que se nega
à fala

o que escapa
ao acurado apuro
do dizer
a borra
a sobra
a escória
a incúria
o não-caber

ou talvez
pior dizendo
o que a linguagem
não disse
por não dizer
porque
por mais que diga
e porque disse
sempre restará
no dito o mudo
o por dizer
já que não é da linguagem
dizer tudo

ou é
se se
entender
que
o que foi dito
é o que é
e por isso
nada há mais por dizer

portanto
o meu assunto
é o não-dito não
o sublime indizível
mas o fortuito
e possível
de ser dito
e não o é
por descuido
ou por intuito
já que
somente a própria coisa
se diz toda
(por ser muda)

é próprio da palavra
não dizer
ou
melhor dizendo
só dizer

a palavra
é o não ser
isto porque
a coisa
(o ser)
repousa
fora de toda
fala
ou ordem sintática

e o dito (a
não-coisa) é só
gramática
o jasmim, por exemplo,
é um sistema
como a aranha
(diferente do poema)
o perfume
é um tipo de desordem
a que o olfato
põe ordem
e sorve
mas o que ele diz
excede à ordem
do falar
por isso
que

desordenando
a escrita
talvez se diga
aquela perfunctória
ordem
inaudita

uma pêra
também
funciona
como máquina
viva
enquanto quando
podre
entra ela (o sistema)
em desordem:
instala-se a anarquia
dos ácidos
e a polpa se desfaz
em tumulto
e diz
assim
bem mais do que dizia
ao extravasar
o dizer

dir-se-ia
então
que
para dizer
a desordem
da fruta
teria a fala
— como a pêra —
que se desfazer?
que de certo
modo
apodrecer?

mas a fala
é só rumor
e idéia
não exala
odor
(como a pêra)
pela casa inteira

a fala, meu amor,
não fede
nem cheira

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Randomically Personal Profile

Gula de viver & Gullar IX

Há mais de dez anos, achava que me conhecia e já tinha várias certezas. Até que, num belo dia, sei lá onde, precisei descrever o meu perfil.

Quem sou eu? Sei lá!

Exatamente naquele momento foram pelo ralo as minhas certezas e o meu achismo sobre minha personalidade. Eu precisava e preciso saber quem eu sou.

E essa pergunta idiota me persegue aonde quer que eu vá, ou melhor, persegue a todos, pior que sombra! Credo!

Não há entrevista, formulário ou pessoa que não tente traçar o meu ou o seu perfil. É automático. Basta um téte-a-téte ou qualquer tipo de startup.E a perguntinha que não quer calar e que não faço a menor questão de responder, surge.

Impossível traduzir-se com meia dúzia de palavras, assim como foi impossível respondê-la há dez anos. Se existe alguma resposta em constante evolução, com certeza, é esta. Cada segundo merece um reload. Mistério idiossincrático! Ser ou não ser?

Depende.

Quem pergunta? Você? Quem é você? Hummm, desculpa! Não disse que era automático?

Só sei que somos um verdadeiro ♫ caleidoscópio sem lógica… (adoro aquela música dos Paralamas!), várias pessoas numa mesma pessoa. O reflexo do nosso “eu” vai além do espelho, reflete no outro, como definiu muito bem o poeta sujo:

“cada coisa está em outra

de sua própria maneira

e de maneira distinta

de como está em si mesma”

(Poema Sujo/ FG, parte final)

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Dá-lhe Gullar! Bravo!

E por via das dúvidas, não custa nada investir um pouquinho em personal marketing. Porque mesmo caprichando, o meu ou o seu perfil pode ainda não satisfazer aos requisitos mínimos desejados, ou exceder as qualificações esperadas. Hahaha…

Depois de dizer que sou assim e assado, descobri que sou um poço de contradição! A minha melhor autodefinição, e esta vale para todo o sempre, é:

“Alguém entre o céu e a terra que… (ainda estou pensando no final da frase, sem saber o final da minha história!)

"Entre o céu e a terra...

E, por favor, não me subestimem, entre o céu e a terra acontece coisa pra caramba! Hahaha…

Moral da história:

Perfil? Inventa-se!

*Foto tirada por mim em 19/03/08

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Aos poetas, a eternidade!!!

Gula de viver & Gullar VIII

Antes que o verão acabe, segue abaixo mais uma obra-prima do poeta sujo. Versos tão idiossincráticos e sublimes quanto a esperança doida que bate em nosso peito – a própria vida!!!

Verão

Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração

deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar.

A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida.

Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:
vai morrer, não quer morrer.

E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.

O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida

Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.

E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda em agonia
resiste mordendo o chão.

Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
E essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.

Vai morrer, não quer morrer.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração – resiste.

Haveria esta belíssima poesia, se não existisse Gullar?

Afinal, o que veio primeiro? A poesia ou o poeta?

Existe uma história interessante e engraçada vivida e contada por Gullar inúmeras vezes em torno desta incógnita:

A poesia e a morena

Quando estava no exílio, Gullar se reunia para jantar com outros exilados brasileiros. Um economista, casado com uma morena muito bonita, atormentava todo mundo com papo chatésimo de economia, teorias arrogantes que pretendiam explicar o mundo.

Um dia a morena foi embora e bastou isso acontecer para que ele mudasse de conversa. O cara sentava-se ao lado de Gullar e passava a falar só de poesia: poesia inglesa, poesia espanhola, poesia francesa. Enfim, era um profundo conhecedor de poesia. Mas só começou a falar desse assunto quando a morena foi embora e ele soube o que era o desamparo. Gullar se pergunta se não seria essa uma das funções da poesia, ou seja, despertar-nos para o efêmero e a fugacidade da vida?

Perguntado se faz poesia com a morena, Gullar responde:

- Eu? Faço poesia para a morena!

Hahahah… o que mais poderia inspirar um poeta?

No dia da poesia, prefiro exaltar os poetas que tornam o mundo simplesmente maravilhoso!!! Parabéns aos notáveis da arte dos versos!!!

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Em sintonia com o Poeta Sujo de vida

Gula de viver & Gullar VII

Eu e o Freitas conversamos muito sobre a vida, deste assunto infinito que engloba tudo e todos, que não fala só do que é bonito, que vai além do real. Isso! As minhas conversas com o Freitas são surreais! E pelo visto, ainda não percebemos que juntos representamos um movimento… Hahah.

E, como em toda reflexão, buscamos uma solução, a melhor saída para tranqüilizar o espírito. É como olhar tudo através de um caleidoscópio à procura do mais intenso feixe de luz. Enxergar no pior, nas dificuldades, um impulso para viver da melhor forma possível.

Isto não significa que tratamos apenas de problemas, absorvidos com questões sérias, pelo contrário. Se bem que estar numa boa e rindo à toa, é um lance muito sério para mim, importantíssimo! A não ser que consideremos o todo, aí realmente, não só eu e o Freitas estamos com problemas, mas como você e o resto do mundo. Mais do que nunca sabemos do efeito borboleta, da teoria do caos, do quanto é inútil ser indiferente, viver em torno da própria umbigosfera!

Por isso, inevitavelmente, falamos tanto sobre Gullar, o poeta sujo de vida. “O encontro” de quinta-feira passada rendeu altos papos! Principalmente sobre o ponto considerado como o mais alto da noite – aquela questão demolidora do clichê do Vandré pelo nosso mentor. Depois de ouvir aquelas sábias palavras, confesso que senti um grande alívio. Porque a música é muito bonita, forte, emocionante e na mesma medida atormentadora. Desloca o foco da sociedade injusta para o nível individual, fazendo-nos acreditar que não sabemos fazer a hora, só os outros. Tenho certeza que o Vandré teve a melhor das intenções, mas seus versos são mal interpretados até hoje. Induzem ao imediatismo e voluntarismo que no fim nunca fizeram “a hora” de ninguém. Assim como viver não é ficar sentado esperando as coisas caírem do céu, também não é sair por aí metendo os pés pelas mãos. “A hora” é conseqüência de um preparo, de criatividade, esforço e competência que exigem a bendita da educação – o calcanhar de Aquiles da nossa nação brasileira.

Óbvio, que não contam nesta hipótese aqueles que nasceram com o rabo virado pra lua, desculpem o palavreado! Mas é que para essas pessoas toda hora é “a hora”, incrível! “Deus que os ajude e que a nós não desampare”. Eta frasezinha despeitada! Hahah.

Fato é que viver é não ter vergonha de ser feliz, já dizia Gonzaguinha. E é o que todos querem, desde sempre, uma vida digna! Aquela que supre as necessidades básicas, aquela que não discrimina, que um salário decente seja capaz de proporcionar. A partir daí, a conquista do bem-estar, da satisfação pessoal garante o sucesso absoluto de qualquer um. A oportunidade de sonhar concretamente que é o denominador comum tão almejado entre os homens!

Mas convenhamos, essa oportunidade parece encantada! Sabemos que ainda não houve morte suficiente que fizesse o sol brilhar igual pra todo mundo. A história da humanidade ainda é triste. A maioria sofre, nem existe e muitos não existirão. Viver dignamente é privilégio de poucos. O que deveria ser simples e comum está cada vez mais inalcançável, utópico.

Só que as desvantagens que prejudicam o desenvolvimento, a vida do ser humano, sempre se contrapuseram com a tal esperança que faz qualquer um levantar do chão e erguer a cabeça. Quantas revoluções já aconteceram, marcaram época, fizeram notáveis?! Lamentavelmente, muitos não souberam brigar por suas causas. Morreram na praia por despreparo, não mediram as conseqüências dos próprios atos, não esperaram a hora pra fazer acontecer! E é o que ainda acontece pelo mundo a fora.

Neste ponto da conversa, eis que surge o queridíssimo Freitas insistentemente, revelando-me um poema de 1968, com 8 cantos, mais de 300 versos, chamado Dentro da Noite Veloz. Verdadeira obra-prima, que além de exibir todas as formas e velocidades da noite, a partir da morte de Guevara, reflete sobre a opressão que a América Latina sofreu historicamente e sobre a natureza da vida. Seguindo o roteiro Freitas:

Clique na figura e compre o livro pelo submarino. Vale a pena!

No canto VII, Gullar começa a refletir sobre o presente:

Súbito vimos ao mundo
e nos chamamos Ernesto
Súbito vimos ao mundo
e estamos na América Latina

Mas a vida onde está
nos perguntamos

Depois constrói um amargo diálogo:

—-Serei cantor
—-serei poeta?
Responde o cobre (da Anaconda Copper):
—-Serás assaltante
—-e proxeneta
—-policial jagunço alcagüeta

—-Serei pederasta e homicida?
—-serei viciado?
Responde o ferro (da Bethlehem Steel):
—-Serás ministro de Estado
—-e suicida

—-Serei dentista?
—-talvez quem sabe oftalmologista?
—-otorrinolaringologista?
Responde a bauxita (da Kaiser Aluminium):
—-serás médico aborteiro
—-que dá mais dinheiro

Mas sem acomodação, ou seja, apesar da pressão do sistema capitalista:

Quero de fato viver.
Mas onde está essa imunda
vida – mesmo imunda?
————————No hospício?

num santo
ofício?
——no orifício
da bunda?
Devo mudar o mundo,
a República? A vida
terei de plantá-la
como um estandarte
em praça pública?

O Poema forte já questionava Guevara. No Canto II, à moda de um coro grego:

Ernesto Che Guevara
teu fim está perto
não basta estar certo
pra vencer a batalha

Ernesto Che Guevara
entrega-te à prisão
não basta ter razão
pra não morrer de bala

Ernesto Che Guevara
não estejas iludido
a bala entra em teu corpo
como em qualquer bandido

Ernesto Che Guevara por que lutas ainda?
a batalha está finda
antes que o dia acabe

Ernesto Che Guevara
é chegada a tua hora
e o povo ignora
se por ele lutavas

Bravo! Bravíssimo!!!

E aí no domingo, pra surpresa total, o Freitas me pergunta se eu acordei preparada para fortes emoções. Eu disse que sim, mas na verdade não fazia idéia do que se tratava. Então, Freitas me encaminhou a crônica do Gullar de domingo exibida na Folha de São Paulo. Quase tive um treco! Exatamente, sobre tudo que conversamos nos últimos dias. Tudo! Até a correlação com o poema.

“… Mais tarde, bem mais tarde, descobriria que a noite é muito mais veloz nos trópicos do que nas zonas temperadas. Nos pólos, então, a noite quase não passa, dura meses. Mas a noite custa a passar também nos cárceres. Já imaginou quanto deve demorar a noite, nas selvas colombianas, para as pessoas que as Farc mantêm seqüestradas? Para quem teve roubado seu futuro, a noite se prolonga dia adentro e emenda com a seguinte, é a noite sem aurora.

Que diferença daquela noite boliviana, nos anos 60, quando Guevara punha em risco sua vida por um sonho: o sonho de criar uma sociedade fraterna e igualitária nas Américas. Sonho, que ele sonhou errado, na hora errada, no lugar errado, por acreditar que quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Não faz. Esse voluntarismo juvenil só conduz à derrota.

É que o homem perdeu o paraíso pela impaciência, como disse Kafka. Mas podemos dizer que, pela paciência, quem sabe, ainda poderá recuperá-lo. Paciência que signifique determinação, persistir na luta, demore o que demorar, paciência que nos ajude a vencer a noite com todos os seus fantasmas e pesadelos.

Como se vê, há muitas noites na noite -o que nos fascina e assusta, como disse Murilo Mendes, “com seus abismos azuis”. (trecho, crônica, F.G, publicação em 20/01/08)”

Coincidência? Ou sintonia com o poeta sujo??? Eu acho que o Gullar anda com a orelha queimando ultimamente!!! Hahah…

Moral da história: Prepare-se para a sua hora. Eduque-se para fazer acontecer. Seja esperto e leve as coisas com habilidade. O sucesso é a sua satisfação pessoal. Dinheiro, conseqüência!

Che à la Gullar

*Infelizmente, não consegui editar a formatação original da poesia, sorry!

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Motivo para viver

Não quero lhe contar meu desejo
Nem falar de minha paixão
Muito menos do anseio
Que bate em meu coração

Sei que tremo quando você me fala
Porque, para tanto amor, sou aprendiz
Mas agora vivo apenas para torná-la
Para sempre, das mulheres a mais feliz!

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No mundo há muitas armadilhas

Gula de viver & Gullar V

No mundo há muitas armadilhas
—–e o que é armadilha pode ser refúgio
—–e o que é refúgio pode ser armadilha

Tua janela por exemplo
—–aberta para o céu
—–e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
—-a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)

No mundo há muitas armadilhas
—–e muitas bocas a te dizer
—–que a vida é pouca
—–que a vida é louca
—–E por que não a Bomba? te perguntam.
—–Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
—–que a vida é louca?

Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
—–que não sabe
—–que afoito se entranha à vida e quer
—–a vida
—–e busca o sol, a bola, fascinado vê
—–o avião e indaga e indaga

A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.

Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárin foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar
e agüentarás até o fim.

O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje

A estrela mente
o mar sofisma. De fato,
o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.

*Leiam a poesia com a formatação original no site oficial do poeta! Clique aqui.

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Para Fátima, uma mulher comum

Gula de viver & Gullar IV

Tenho que rir, não adianta! No meio de tanta violência, desigualdade e arrogância dos homens que estão no poder, a vida ironiza volta e meia! Faz pouco tempo, li sobre a sobremesa mais cara do mundo. E mal consegui me imaginar saboreando um frozen de chocolate de 25 mil dólares no restaurante Serendipity-3 em Nova York.

ô sorvetinho caro!

ô sorvetinho caro!

O impacto da notícia na época fez com que eu me sentisse tão pequena, desprivilegiada e ao mesmo tempo tão forte por pertencer à grande maioria que vive com simplicidade e, se tivesse muito dinheiro no bolso, nunca pagaria 25 mil dólares numa sobremesa, ainda que banhada a ouro! Acho uma afronta certos luxos fúteis, principalmente considerando as notícias diárias dos jornais que só falam de desgraças e misérias. Como alguém pode sentir prazer deliciando-se com uma sobremesa assim tão cara?

Mas a soberba tem seu preço!

Quem diria que o tal restaurante carésimo seria fechado por tempo indeterminado, no dia 16/11, pelo Departamento de Saúde devido a ratos e baratas que habitavam a cozinha?! Que nojo!!!

Não estou aqui para julgar ninguém por gastar fortunas com isto ou aquilo. Cada um faz o que bem quer com seu próprio dinheiro e não é uma sobremesa de 25 mil dólares que estigmatiza quem quer que seja. Só gostaria de ter certeza que as pessoas capazes de tal esbanjamento  são proporcionalmente solidárias, conscientes da vida ao redor, sensíveis ao convívio social de forma mais soberana e de valor inestimável!

E se ainda assim sobrar dinheiro pra tal luxo – ôpa, paga aí um pra mim também! Não o frozen mas adoraria uma taça do vinho Romanée-Conti! Hummm… Sim, porque se eu pedir o mais caro, Chateau d’Yquem Sauternes (1787), não poderei beber aquele vinagre fedido, só dará pra apreciar a garrafa e exibi-la bancando a colecionadora e isso deve ser muito sem graça, cá entre nós!

Não é possível que alguém pague 64 mil dólares apenas para olhar uma garrafa! E nem de graça tomaria café de cocô de Luwak! Fala sério!

O Romanée-Conti, portanto, cairia muito bem! Excelente vinho para quem gosta de vinhos, não de especulações. Tipo de vinho que não merecia inclusive ser apreciado pelos dirigentes do nosso país por custar, exatamente, a dignidade de muitos que sequer conhecem o gosto da água potável!

Acho que este é o ponto: quem cumpre o seu papel como Homem não comemora dessa forma, não que seja errado, mas por possuir mais que 6 sentidos.

Nossos suores, nossas vidas
não são mijo, nem fezes
———————————-dos poderosos
Não somos alvo de bala perdida
nem banquete de vermes

Não somos inanimados nem descartáveis
Somos homens e mulheres com mãos,
——————————-impulsionados pela razão
————————————————–e pelo coração

Temos fé e coragem
Podemos muito mais que arriscar
nossas vidas
espancando bandido de quinta
numa esquina qualquer

Aliás, adorei essa notícia! No peito e na raça, golpes de capoeira, reação automática! Hahaha… Dá-lhe Fátima!

Fátima Regina Anthero Santiago (a mulher do meio)

Fátima Regina Anthero Santiago, 40 anos (a mulher do meio)

Garçon, por favor! Suco de caju para nossos dirigentes e Romanée-Conti para Fátima!

E agora, meus queridos, o grand finale! Com a palavra, o poeta sujo:

Coisas da Terra

Todas as coisas de que falo estão na cidade
entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
e eternas como o teu riso,
a palavra solidária
minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo que volta
e acende sua flama inesperada
no coração de maio. Todas as coisas de que falo são de carne
Como o verão e o salário. Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem. São coisas, todas elas,
cotidianas, como bocas
e mãos, sonhos, greves,
denúncias,
acidentes de trabalho e do amor. Coisas,
de que falam os jornais,
às vezes tão rudes
às vezes tão escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
Mas é nelas que te vejo pulsando,
mundo novo,
Ainda em estado de soluços e esperança.

*Infelizmente, não consigo editar aqui a poesia com a formatação original, mil desculpas! Gostaram da primeira poesia? É poemeu! Fiz no calor da emoção! Hahaha…

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Aprendizado

Gula de viver & Gullar III

Aprendizado

Do mesmo modo que te abriste à alegria
—-abre-te agora ao sofrimento
—-que é fruto dela
—-e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
—-que da alegria foste
————————–ao fundo
—-e te perdeste nela
————————e te achaste
————————nessa perda
—-deixa que a dor se exerça agora
—-sem mentiras
—-nem desculpas
——————–e em tua carne vaporize
——————–toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta.

***

Preciso comentar alguma coisa? Acho que não! Demais! Leiam a poesia com a formatação original no site do Gullar.

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O que você faria se só lhe restasse um dia?

Gula de viver & Gullar II

Há ainda tanto o que realizar (tanta vontade), seria muito injusto se nesse momento eu soubesse que só me resta um dia. Talvez procurasse estar num lugar bonito, numa praia, com a família e os amigos, saindo à francesa logo em seguida, sim, porque não perderia nenhum segundo do meu último dia, fazendo drama, jamé! Mas talvez fosse importante dizer: Olha, hoje é o meu último dia! E assim favorecer a proximidade de um ou outro que nunca soube se entender comigo. Não valeria a pena, definitivamente, ficar só no meu último dia, numa despedida silenciosa de tudo que fui, esvaziando a minha mente… Ora, é o seu último dia, Renata! Faça valer os últimos segundos em emoção, viva uma aventura, conclua algo, transborde!

Fato é que um dia seria pouco demais para escrever um poema que valesse como testemunho final, antes que me calassem para sempre; Seria muito pouco tempo para escrever mais de cem páginas em linguagem poética de largo fôlego a experiência profunda armazenada como sentimentos, emoções e recordações, revelando, explicitamente, a sordidez e a impureza do cotidiano humano, despudoradamente, como homem sensível, sempre alerta e consciente de sua participação no meio social; Seria pouco tempo para me traduzir com exatidão no contexto de tudo ao redor e concluir como o Gullar, no Poema Sujo, numa época de forte repressão política, que…

… O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade.
mas variados são os modos
como uma coisa
está em outra coisa:
o homem, por exemplo, não está na cidade
nem como uma árvore
está em qualquer uma de suas folhas…

O poema traz versos que marcaram (e ainda marcam), merecerndo ser chamado de Poema Nacional, como afirmou o crítico Otto Maria Carpeuax, porque encarna todas as experiências, vitórias, derrotas e esperanças da vida do homem brasileiro. Exibe a dureza da existência humana, fazendo emergir um novo conceito ético, capaz de nos tornar mais conscientes dos mistérios de existir num mundo que, como o próprio Gullar diz, espanta e comove.

Vinicius quando pediu o regresso do poeta Gullar à sua terra, contaminado pelo poema, numa época em que queriam decretar a morte da poesia, escreveu maravilhado que tinha reencontrado a poesia simples, orgânica, crua, fecunda, emocionante e paralelamente dotada de um grande poder de síntese; poesia nascida no quintal das palavras e escrita por quem ele considerou o último grande poeta brasileiro, que o tocou até as vísceras. Disse, ainda, que FG, com Poema Sujo, escreveu um dos mais importantes poemas daquele meio-século, pelo menos nas línguas que ele conhecia, e certamente o mais rico, generoso (e paralelamente rigoroso) e transbordante de vida de toda a literatura brasileira. Um poema que, sem omitir nenhuma palavra ou ato considerados feios ou obscenos pela moral burguesa, carrega uma extraordinária pureza de intenções e de sentido. Um poema que nada tem de sujo, nesse particular; ou melhor, que é sujo de vida, inhaca humana, do cheiro acre do amor dos corpos, do fervilhar dos germes da vida e dos vermes da morte.

Queridos, o Poema Sujo comemorou 30 anos e o Gullar está vivíssimo para nosso total deleite, dizendo que: Não quero ter razão, eu quero ser feliz. Deu um depoimento bastante interessante numa entrevista com Mauro Ventura, na Revista O Globo de 18/11/07: Israelenses e palestinos têm que parar de discutir. Passado é passado. Enquanto quiserem ter razão jamais farão as pazes. É que nem com minha mulher, Cláudia. Brigo com ela, provo que estou com razão, ela sai irritada (eles moram em casas separadas), passa três dias sem me ligar, fico aqui cheio de razão, triste pra caramba. Brigo com a pessoa que amo, que me dá alegria, para ter razão? Eu quero é ser feliz.

Descontraído ainda por cima, não?! Hahaha…O tempo todo Gullar mostra o quanto é necessário aproveitar a vida, comprometer-se! É importante perceber a intensidade do ser o quanto antes. Bora viver!!! Sempre há tempo para ser feliz!

*Toda a série é dedicada ao meu querido Freitas, por ter me apresentado ao Gullar e por ser a pessoa especial que é, incrivelmente adorável!!!

*TDM

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Um dia de gula e Gullar não mata ninguém!

Gula de viver & Gullar I

ferreira_gullarNão! Eu não abandonei Vinicius. Mas não há como viver sem Gullar e até Vinicius sabia disso! Numa daquelas conversas que segue em todas as direções, daquelas que as palavras arrepiam, batem no peito, penetram na alma e mudam o pensamento, de repente… Gullar!

Um homem (in)comum que conversa comigo de homem pra homem, que admiro cada vez mais e mais e mais e mais, que também é feito de carne e de memória, de osso e esquecimento,  feito de coisas lembradas e esquecidas, brasileiro, maior, casado, que também não vê na vida nenhum sentido, senão lutar por um mundo melhor, poeta sem saber (simmmm, porque da boca dele sai poesia a todo instante), este homem (in)comum que junto comigo e milhões por aí formamos uma muralha com nossos corpos de sonhos e margaridas, é quem me apresenta entre uma vírgula e outra a gula de viver e Gullar! Ele completa: Quero que seja a mais feliz! Ahhhhhhh meu Deus! O que acontece durante ou no fim das conversas? Eu choro, óbvio! Choro muito! Choro de emoção, de felicidade por ter pessoas e momentos assim cheios de sentidos! Portanto, começa agora, meus queridos,  a série Gula de viver & Gullar – uma homenagem ao maior poeta vivo, crítico ainda por cima, resmungão que só, o poeta preferido do meu querido e cada vez mais queridíssimo e incomum, Freitas!!! Bem, quando…


A vida bate

Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
——o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
—-Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
————————–Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
——-que é mais que a água na grama
——-que o banho no mar, que o beijo
——-na boca, mais
——-que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
——-te acham e te perdem.
——-Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
——————————————-ó desatino
ó verdade, ó fome
———————de vida!

——O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
——E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
——A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
——como se estivesse pronta.
——Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
——Mas vista
——de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
——carnadura de pânico: as
——pessoas que vão e vêm
——que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
——sangue urbano
——movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
——e estão cheias de vozes
——e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
——Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
——escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
——E passamos
carregados de flores sufocadas.
——Mas, dentro, no coração,
——eu sei,
————-a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.

——Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
——sob as penas da lei,
——em teu pulso,
———————-a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
——que me sustenta
——esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
——na América Latina.

(Brasília, 1963)

*Infelizmente não consegui obedecer a formatação original da poesia, leiam-na no site oficial do poeta, cliquem aqui.


Homem Comum

Sou um homem comum
—-de carne e de memória
—-de osso e esquecimento.
e a vida sopra dentro de mim
—-pânica
—-feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
—-cessar.

Sou como você
—-feito de coisas lembradas
—-e esquecidas
—-rostos e
—-mãos, o quarda-sol vermelho ao meio-dia
—-em Pastos-Bons
—-defuntas alegrias flores passarinhos
—-facho de tarde luminosa
—-nomes que já nem sei
—-bandejas bandeiras bananeiras
———tudo
——misturado
———essa lenha perfumada
—-que se acende
—-e me faz caminhar
Sou um homem comum
—-brasileiro, maior, casado, reservista,
—-e não vejo na vida, amigo,
—-nenhum sentido, senão
—-lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
—-Quero, por isso, falar com você,
—-de homem para homem,
—-apoiar-me em você
—-oferecer-lhe o meu braço
——que o tempo é pouco
——e o latifúndio está aí, matando.

Que o tempo é pouco
e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida
e a bolsa
—-Homem comum, igual
—-a você,
cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
—-A sombra do latifúndio
—-mancha a paisagem
—-turva as águas do mar
—-e a infância nos volta
—-à boca, amarga,
—-suja de lama e de fome.

Mas somos muitos milhões de homens
—-comuns
—-e podemos formar uma muralha
—-com nossos corpos de sonho e margaridas.

(Brasília, 1963)

Da Renata,
Inventora do verbo ‘Gular’.

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