Posts Tagged injustiças sociais
Pense no Haiti, reze pelo Haiti…
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para curtir, Para enlouquecer on 18 de janeiro de 2010
Desde terça-feira passada quando soube do terremoto que destruiu completamente o Haiti, só consigo pensar no quanto eles são desgraçados.
Não queria usar essa palavra ‘desgraçado’, mas não consegui encontrar outra que traduzisse tamanha infelicidade, infortúnio, miséria, angústia, desastre, revés etc.
Como se não bastasse todo o histórico, ainda aconteceu mais essa. Lá a desgraça sempre chegou a galope.
Fico pensando se, depois de tudo, ainda existe algum haitiano com fé em Deus.
Talvez os que ainda estão vivos debaixo dos escombros pensem em Deus com toda força do seu ser.
Mas e aqueles que sobrevivem àquela constante humilhação diante da pobreza, da fome, da dor, de nenhuma oportunidade digna, e agora diante do tapete de milhares de mortos?
Não sei. Não sei mesmo o que sentiria se fosse um deles. Não sei o que me motivaria diante da falta de tudo, da pobreza extrema.
Não consigo imaginar o que é perder todos os familiares e amigos de uma só vez, perder a voz da esperança de Zilda Arns e a de tantos outros missionários, vagar sem teto e agora sem chão, sentido o cheiro pútrido de tudo e todos que até então resistiam.
E misteriosamente o Cristo crucificado da igreja de Sacré Coeur permaneceu de pé.
O que isso significa?
(…)
Em pensar que essa realidade dura do Haiti, agravada por acidentes naturais, existe até aqui no Brasil.
♫ E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
Polêmica
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Cacarecos, Para enlouquecer on 30 de setembro de 2007
Onde tem Wagner Moura eu estou lá, lendo e acompanhando. Não se trata apenas de um ator talentoso e sim de um homem inteligente. No meu post “Agora o bicho vai pegar” sob um ponto tendencial, não sei se por conta da minha profissão, fui bastante incisiva com os usuários atribuindo responsabilidade direta sobre a existência do tráfico e subseqüente violência. Deixei claro a minha revolta com a falta de rigidez do sitema jurídico-penal com aqueles que deveriam ser tratados com mão de ferro pelo Estado - “A certeza da impunidade acoraja os que vivem à margem da lei e intimida os que buscam um pouco de segurança” – Segurança esta que é responsabilidade do Estado, é o interesse público que deve ser atendido com eficácia por ser indispensável à vida e à convivência em sociedade. A segurança, como um dos serviços prestados pelo Estado, deve ser executada de forma cautelosa, obedecendo a Lei, como qualquer outro órgão prestador de serviço só que com uma responsabilidade muito maior, afinal, o desenvolvimento social influencia na economia do país. Tropa de Elite e toda a sua polêmica realça de forma impactante o sistema e seus métodos e a vida dos personagens que ali vivem em guerra. Não exibe heróis nem vilões e sim uma realidade perversa, vergonhosa que não deveria existir!!! Mas a opinião pública não enxerga assim. Aplaudem a violência em nome da vida. Ora, aplaudamos o filme e sua produção, seu elenco, não a violência ali denunciada detestavelmente! Sei que tudo tem um contexto, mas tenho que concordar com o que disse João Paulo Cuenca “… o filme é de um reacionarismo que talvez não tenha paralelo na história do cinema nacional…o tráfico de drogas é um câncer, a elite branca é hipócrita, a PM é corrupta, e o BOPE é incorruptível… e só o BOPE tem certas licenças nada poéticas – a tortura é uma delas”. “O problema todo é a tal da opinião pública, que por conta de déficit moral, faz uma leitura do filme que corrobora esses métodos e valores, fazendo do Capitão Nascimento herói quando tortura e mata com ele”. Creio que este nem é o principal ponto da polêmica. O que me impressionou de verdade foi a opinião do Wagner Moura. Concordo com ele quando diz “Não há arma mais poderosa no combate a violência do que educação, cultura, lazer, esporte, bem-estar social e geração de emprego”. Mas discordo totalmente quando ele diz que a legalização do consumo seria a campanha mais eficaz no combate ao tráfico. As drogas realmente existem desde que o mundo é mundo e a repressão realmente não vai acabar com o consumo, assim como a legalização não vai acabar com o tráfico. Não é só a maconha que sustenta financeiramente o tráfico e o crime organizado, que isso fique claro!!! Não vejo o consumidor como elo mais fraco da cadeia, pode até não ser o mais forte, mas o mais fraco não é, definitivamente! Não é o tráfico que arrasta os jovens da periferia para a morte e sim a impunidade. Comparar o Brasil, com todo esse déficit moral como bem disse o Cuenca, déficit sócio-econômico-cultural, com a Holanda é no mínimo leviano!!! Não há como tecer um paralelo, estamos muito atrás. Não temos estrutura para vivermos com leis tão permissivas. Por que será que a Holanda tem problema com os turistas que só vão para lá com o intuito de consumir drogas??? Lá não é tudo liberado? Por que existe limite de quantidade nos bares ou cafés? Legalização ou uma política de tolerância? Por fim, o Wagner foi muito feliz quando disse que não sabe como resolver essa questão, frisando que já passou da hora de discutirmos o que parece óbvio e o filme, realmente, contribui para isso!!! Se queremos extirpar a violência do mapa do Brasil precisamos rever nossas leis e sua forma de execução e contribuir com a sociedade assumindo todos uma postura mais consciente, a injustiça social é o que atravanca o progresso de fato!!!
OBS – TEM SOLUÇÃO? Solução tem mas a sociedade não está preparada para uma polícia que não se corrompe! É necessário uma revitalização geral!!!
Quem será a próxima vítima?
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Cacarecos, Para enlouquecer on 11 de setembro de 2007
Eu, tu, ele, nós, vós, eles! Corremos riscos por todos os lados, até dentro de casa. Nas ruas, então, qualquer semelhança com os filmes de bang-bang é mera coincidência! Polícia, bandidos e inocentes compõem o cenário do horror sob chuva de tiros. Violência espalhada pelas hordas em ritmo cada vez mais crescente. A densidade populacional, os índices de desemprego e criminalidade emergem por conta de toda desigualdade e injustiça social. E a marginalidade segue, mantendo-se firme, incrivelmente, afinal, as práticas ilegais são altamente rentáveis! Viva a corrupção! Viva o capitalismo! Como equilibrar a economia do país com esse tipo de desenvolvimento social? Mas, voltando aos tiros, se você está andando feliz e contente por uma rua e é atingido por uma bala proveniente de um tiroteio entre policias e traficantes, de quem é esta responsabilidade e culpa?
Primeiramente, é necessário entendermos que o interesse público é a prioridade, o maior objetivo do Estado e todo serviço voltado para este fim deve cumprir às exigências de qualidade, continuidade, regularidade, eficiência, atualidade, generalidade, modicidade, cortesia (que aqui neste caso não é favor e sim dever) e a bendita segurança! A Administração Pública tem o dever de oferecer aos seus usuários/administrados serviços a contento, eficazes, ou seja, um tratamento urbano consentâneo, apropriado, por serem essenciais, indispensáveis à vida e à convivência, assim executando-os de maneira cautelosa. Exatamente, como vemos por aí, não é mesmo?
Num segundo plano, já que falamos em responsabilidade, qual o significado desta palavra? Esta palavra evoluiu do vocábulo latino re-spondere, tendo como significado o conceito de segurança, restituição ou compensação. Desta forma, teria o sentido de obrigação de restituir, ressarcir. Assim, temos a responsabilidade civil e a pública. Quanto à responsabilidade pública, que é a parte que aqui interessa, é necessário saber que esta emana da lei e responde pelos atos de seus agentes, fundando-se no risco das atividades estatais, ou seja, está delimitada exclusivamente a um tipo qualificado de causalidade material. E como a responsabilidade civil estatal não está somente disciplinada pelo direito civil, mas principalmente pelo direito público, ou seja, direito constitucional, administrativo e internacional público, o estado não poderia estar intangível ao ordenamento jurídico, pelo contrário, está incluso como sujeito de direitos e obrigações.
A CRFB/88, no art. 37, §6º determina que “as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.
O art. 5º, X da Lei Maior positivou o princípio impositivo do dever de cuidado (neminem laedere) como norma de conduta, assegurando proteção à integridade patrimonial e extrapatrimonial de pessoa inocente, e estabelece como sanção a obrigação de reparar os danos, sem falar em culpa.
Ressalta-se que a CRFB/88 prestigiou a Teoria do Risco Administrativo como fundamento para a responsabilidade civil do Estado, seja por ato ilícito da Administração Pública, seja por ato lícito, como é a hipótese em questão.
Assim, a troca de disparos de arma de fogo (bala perdida) efetuada entre policiais e bandidos em via pública, impõe à Administração Pública o dever de indenizar, sendo irrelevante a proveniência da bala (ou seja, o conhecimento do autor do disparo). A conduta comissiva perpetrada, qual seja, a participação no evento danoso causando dano injusto às vítimas inocentes conduz à sua responsabilização, mesmo com um atuar lícito, estabelecendo-se, assim, o nexo causal necessário.
É responsabilidade do Estado a interdição de uma via pública sempre que for previamente planejada uma incursão (em favelas, por exemplo), do contrário ocorrerá omissão do Estado no cumprimento de seus deveres que quando comprovada, caberá ao Estado indenização por todos os danos causados.
Não sei até que ponto vale essa informação do “dever de indenizar do Estado diante de um acidente fatal por conta de bala perdida”, considerando, evidentemente, o valor inestimável da vida e a via crucis dos processos judiciais. Tão absurdo quanto a morte é quando a vítima é gravemente atingida, tendo comprometida a sua integridade física e mental. Que valor é capaz de compensar esta ou aquela desgraça? Bem, o ideal é o fim da violência e para isso cada um de nós deve mudar seu comportamento como cidadão integrante de uma sociedade, agindo com mais consciência e compaixão pelo próximo. Mas enquanto isso, não deixem de processar o Estado. Chega de impunidade!
A REVOLUÇÃO DAS LETRAS
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Cacarecos, Para enlouquecer on 27 de agosto de 2007
A vida transcorria como de costume em Alphabeto. A rotina das letras se mantinha inalterada. O sistema alphabético vigente, moldou uma sociedade dividida entre os MAIÚSCULOS e os minúsculos. A maior parte da população era constituída pelos minúsculos. Letras que formavam o suporte de todos os segmentos da sociedade alphabética. Desde mão-de-obra especializada em construção de palavras, frases, textos; até edificação de um livro inteiro.
Os MAIÚSCULOS, constituíam o que se conhecia por… Os Iniciais. Nada, nenhum capítulo, sentença, fraseologias, textualizações, etc., tinha início sem a presença determinante de um Inicial — essa fina casta, elevada, iniciada, antes de qualquer suspeita_ para conduzir uma sentença até o seu termo.
Essa sociedade era regida por uma lei arcaica conhecida por Lato Sensus Significativus. Se um trabalho não tivesse na sua estrutura “o significado” determinado pelo Sensus, era imediatamente retirado do contexto, sendo que todas as letras seriam desagrupadas retornando à condição de “disponíveis para reconstrução”. Nos casos radicais, poderiam até serem apagadas, destituídas de suas funções significativas.
Porém, resignadas na sua condição minúscula, proseguiam a cada parágrafo de suas vidas, entre ponto e vírgulas até chegarem ao destino de todas elas: o ponto final.
Um rígido sistema condicional cerceava ipsi literis, o futuro do vocabulário alphabético sem deixar escapar uma vírgula sequer.
Tentar libertar-se dessa trama muito bem enredada, era um exercício que poucos, muito poucos, conjugariam esforços para atingi-lo.
Mas, iniciava-se em meio às letras insatisfeitas com a inflexibilidade das regras impostas por um sistema pouco afeito a liberdade de expressão, um movimento clandestino que visava resgatar o poder da palavra. Para isso todas as letras precisariam se unir.
Trabalhando através de sinais previamente codificados, nem um til era desperdiçado.
Obviamente o líder era um sujeito oculto.
Vigorava uma estrita lei do silêncio. Após o trabalho, as letras deveriam evitar todo e qualquer agrupamento que constituísse um “significado” fora do estabelecido. Seguiam ordenadamente para o lugar que cada letra ocupava na ordem alphabetica. Um “a” minúsculo vagando sozinho em uma linha era tido como algo sem sentido e inofensivo. Porém, duas letras juntas, levantavam suspeitas fortíssimas o bastante para serem eliminadas pela borracha; instrumento que na mão dos poderosos era — na sua iletrada atitude — utilizado para interromper um processo criativo e não como solução para reescrever a história.
Em meio a todo esse controle da linha de ação das letras, inicia-se um movimento contrário, partindo de um trabalho de conscientização da força de expressão que as letras unidas possuem: descobre-se o poder da ordem e pontuação.
Após vários encontros secretos realizados entre letras e pontuações, o artigo é definido:
— Vamos mudar o contexto!
Para não chamar atenção, todas as letras farão seu trabalho normalmente. Porém alterando a pontuação e ordem das palavras, alteraremos todo o sistema significativo transmutando seu sentido. O objetivo a que nos propomos, será alcançado com a aplicação dessa estratégia em um texto de conhecimento e impacto geral para se ter o efeito desejado.
Após colocados os pingos nos “is”, chegaram a um termo comum:
o texto escolhido foi os direitos humanos no seu primeiro artigo, que assim ficou:
Artigo I
Todos os homens nascem(?). São livres e iguais em dignidade e direitos? Dotados são de espírito? E devem: agir uns para com os outros com consciência e fraternidade.
Ao tomar conhecimento das sutis mas significativas alterações no texto Universal, a cúpula do Sensus resolveu colocar um ponto final em toda essa história.
Para isso estabeleceu artigos indefinidos; desmantelou e suspendeu toda e qualquer significação entre parênteses; abortou o léxico expansivo; segregou o espírito; manteve a letra morta.
E tudo voltou à terminologia corrente. Os significados sem poderem ter liberdade de expressão se ocultaram nas entrelinhas. Vez ou outra algum signo arriscava-se apelar, em vão, ao poder da compreenção passando clandestinamente pelo Sensus Quo.
Definitivo ficou apenas o poder de interpretação de cada um. E com ele escreve-se a história (aquela que a muitos não é conhecida).
LEANDRO SORIANO, INSOLITERATURA!!!
O conto “A revolução das letras”, é maravilhoso! Li e reli algumas vezes impressionada pela criatividade, articulação. Um conto que nas “entrelinhas” conta a história da revolução do pensamento humanitário, destacando a excelência do artigo primeiro da Decalaração Universal dos Direitos Humanos modificado, já que, dentro do contexto, a idéia era a reflexão geral e inicial que haverá de ser enriquecida com o debate contínuo e a sistematização da atuação de (nós) lutadores (as letrinhas) em busca de direitos humanos, assim garantindo a dignidade como base inarredável e precípua dos (nossos) direitos humanos!
Inspirada por Soriano (o autor do conto) e aproveitando a onda de conscientização, quero reforçar essa tendência! Nós, letrinhas minúsculas ou maiúsculas, somos capazes de dar sentido estratégico fazendo valer a tríade constituída durante a Revolução Francesa que compõe os princípios axiológicos supremos do sistema universal de direitos humanos: a liberdade, a igualdade e a fraternidade.
Art. 1º – “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”
Mas, por favor, não vamos confundir “Carolina de Sá Leitão” com caçarola de assar leitão! Liberdade é diferente de libertinagem e igualdade e fraternidade só obteremos com muito respeito um pelo outro. Diversos filósofos já discorreram sobre o tema anos afinco, e, infelizmente, todos, sem exceção, depararam-se num dado momento diante da injustiça social que levou por ralo abaixo o conjunto dos direitos sociais. Ainda hoje, em todo o mundo, tais direitos encontram-se severamente abalados pela hegemonia da chamada política neoliberal que nada mais é do que um retrocesso universal ao capitalismo vigorante em meados do século XIX. Mas não estou a fim de falar sobre capitalismo. A idéia aqui é outra. Conscientização geral! Fazer valer… os valores! A tríade supracitada desdobra-se em outros e todos compondo a linda Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujos ideais e direitos proclamados são sistematicamentes violados a todo instante.
Um mundo perfeito faz-se com paz, solidariedade universal, igualdade, fraternidade, liberdade, dignidade da pessoa humana, proteção legal dos direitos, justiça, democracia, dignificação do trabalho, ou seja, Respeito alicerçado pelo AMOR!!!
É este o principal desafio à dignidade humana, na época contemporânea!
“Mais perigosa que a força bruta é aquela que brota da indiferença da sociedade ante as violações dos direitos da pessoa humana” (Martin Luther King)

















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