Posts Tagged Bendita Palavra

Dentro do peito afogada

Embora todas as expectativas, não entendi por que esse mês foi tão difícil pra mim.
Não é problema com o meu amor, esse vai muito bem, obrigada!
É comigo mesma, é com o mundo, com tudo que ainda não é. É com o trabalho, com a minha independência.
O problema maior é com o meu nariz que ainda não é totalmente meu. Que ironia! É esse signo da falta, como diria a Maria Rezende.
A minha vida está atrasada e o tempo se esvaindo sem dó nem pena.
E até pra expressar essa dor, essa ansiedade, esse medo de não viver o que tanto quero, encontrei uma poesia no Bendita Palavra:

DENTRO DO PEITO AFOGADA
choro lágrimas tortas
choro as certezas mortas
na calmaria da cama

O chão coalhado de dúvidas
tropeça meus pés vermelhos
se levanto, cambaleio
se deito evaparo no ar

Feito um bicho no escuro
mas curva que aconchegada
desentendo a dor que sinto
desentendo o mundo todo
e seu estúpido funcionamento

Quero o ’sim’ que hoje não veio
quero amanhã confirmado
e não importa se virá

A vida é um eterno arriscar-se
é o intervalo dos planos
e o pra sempre é outro dia
sempre longe, sempre lá

Eu quero o aqui e o agora

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Coincidência

MUITO MAIS QUE UM POEMA
alguma coisa que arde
e ao mesmo tempo serena
alguma planta que morde
e ao mesmo tempo semeia
metade monstro
metade sereia
cachorro de raça lambendo a minha mão

Muito mais que romance
muito mais que novela
você na minha vida é aquele que gera
o que espera
o que fica
o que vive as idades
você que sempre foi minha saudade
homem imenso que chegou sem avisar

Homem cubista
muitas partes
muitos todos
homem sonoro
voz que escorre pelo ouvido
homem de ver
homem de ter
homem de nunca mais largar

A Maria Rezende dedicou esse poema ao Rodrigo da vida dela. Que coincidência! Também tenho um Rodrigo que sempre foi minha saudade. Homem imenso que chegou sem avisar. Homem de ver, homem de ter, homem de nunca mais largar. A quem dedico esses versos, com amor! Love you, baby!

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História de amor? YES!

Eu que ria do twitter

Ia contar aqui no meu blog a história de amor de um casal que se conheceu pela internet anos atrás e vivem juntos até hoje com direito a filha e uma vida totalmente em comum em Portugal, mas antes de contar essa história, que por sinal já é bastante conhecida, agora posso contar uma que acaba de começar, da qual inclusive SOU PROTAGONISTA!
Não precisei sair de casa à procura de um romance. Ele praticamente caiu do céu, de um céu moderno sobre um mar virtual e me serviu como uma luva, que me aqueceu o corpo e a alma.
Ele me trouxe uma possibilidade no dia em que estivemos juntos pela primeira vez, no dia em que ele também não cogitava nada além de uma simples apresentação à mesa de um delica.
A sua mão quente descobriu o gelo da minha e por instinto resolveu aquecê-la. A minha mão gelada gelou mais ainda pela audácia da proximidade, mas não deixou de segurar a dele também e entrelaçar os nossos dedos.
Foi um gesto tão natural que diante da menor necessidade de soltarmos as nossas mãos, percebi o quanto o movimento era abrupto. E, nesse exato momento, sem mais nem menos, o atrevido segurou o meu tornozelo com firmeza ainda que pulando muitas etapas para tal intimidade e me mostrou todo o cuidado que uma pessoa até então estranha não teria com o meu frio.
Foi A pegada fatal! Já podia ouvir um tum-tum-tum dentro do meu peito, que tentei abafar, juro. O nosso desenrolar estava sendo tão perfeito, que parecia mentira.
Mas a verdade é que dali em diante nada mais parecia estranho. Era loucura achar que haveria algo bom, como um amor daqueles de cinema, mas também era loucura duvidar do que as nossas mãos já tinham anunciado.
Todos os minutos seguintes foram serenos e doces. A novidade de nós dois parecia-nos tão velha conhecida, que naquela mesma noite ele quis me beijar e eu disse SIM, beijando-o!

De lambuja segue uma poesia da Maria Rezende que tem tudo a ver com a intensidade deste momento:

DIAS DE AFÃ E FRENESI
fudendo homens magros e a cabeça pelas noites

O amor apareceu e foi quase banal
foi como se fosse normal aquele olhar entre os passantes
como se houvesse ainda cavalo e, portanto, rédeas
quando na verdade era tudo já galope, disparada

Pode conter mais tremor o caseiro que o mundano?
pode o veneno habitar o lar?
cabem certezas na inquietude?

O amor é jangada de pedra,
ilha desconhecida
barco sempre à deriva

Se pode gritar “terra à vista!”
mas não pisar lá – terra firme
o amor é navegar

Ele é R como eu, botafogo, mangueirense, é o Big em quem pretendo me derr-amar

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Não posso dormir sem contar esta

Ontem à noite, de repente, o tempo fechou bem em cima da minha cabeça. A minha imaginação definitivamente não estava nos seus melhores dias. Fui dormir triste da vida, acordei macambúzia e sorumbática, conclusão: tive um dia difícil por causa de um motivo à toa, uma coisa boba mesmo que poderia ter passado despercebida.
Se estava certa ou não, pouco importa, exagerei e me deprimi. Isso que é realmente triste, apesar de engraçado! Agora só me resta rir de mim mesma: Rarará! Grande Renata!
Aproveitando que faltam duas horinhas para o dia de hoje acabar e o fato de estar me sentindo bem melhor, vou deixar aqui mais uma da Maria da Poesia que retrata muito bem  o drama que vivi de ontem pra hoje e que me faz lembrar uma pessoa queridíssima que sempre que percebe em mim um certo mau humor, diz assim: não me faça malcriação!

TANTO ESFORÇO PRA SER BOA
Que acabei malcriada

Cada ‘não’ que escuto ou sinto
cada buraco na estrada
me atira de catapulta
num precipício de facas

E cada ‘não’ que não digo
Me afasta de um pulo e sempre
de ser a mulher que eu quero
e aniquila meu desejo
e confunde meu desejo
já não sei o que desejo
nem como é desejar
com toda a força aguda
que uma gente inteira tem

Meus dias são tropeçar
passos leves pelas casas
que é pra não incomodar
com o barulho da queda

E o som de todos os ‘nãos’
-os ouvidos e engolidos-
ressoa como granizo
no telhado de onde vivo
e não me deixa dormir

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Ao meu parceiro

Parceiro, querido! Você não vai acreditar! Estava aqui agora arrumando umas coisas na minha mesa de trabalho, no meio daquela bagunça que não há arrumação que dê jeito, é teclado, é agenda, bloco de notas, caneta, hidratante para as mãos, celular, máquina digital, controle remoto, garrafa d’água, caneca,  colírio, piranha, alicate, base incolor, vitamina C, alcachofra e uma pilha pequena dos livros que ainda não terminei de ler, onde por cima estava o Bendita Palavra. E não é que encontrei uma poesia falando sobre Parceria logo de cara?
Achei incrível ler a essência de todas aquelas minhas (nossas) reflexões sobre ter um comparte, um cúmplice, mais que um interesse comum, parte de si, uma relação além de qualquer vínculo contratual ou sanguíneo, e, inacreditavelmente, até do amor! Ei-la:

Parceria

É a coisa mais importante de todas as coisas
_aí incluídas
cama
café-da-manhã
amor
água quente
dinheiro
filhos

É a rede de proteção contra tudo que é ruim

Você tropeça, cai
mas não se espatifa o chão

É como rezar e ser atendido

É a temperatura certa

É o que te faz saber que tudo tu-tu-tu
que tudo nhem-nhem-nhem
e que mesmo quando tudo pá-rá-rá-tin-bum
você seguirá resistindo aos furações e às areias movediçãs
andando sobre as águas sem molhar as pernas
você existe
você é firme
você é

Eu sou

Essa Maria Rezende é  mesmo um achado!
A você, Freitas, meu parceiro gorducho, queridíssimo e único! A quem não me canso de desejar sempre O melhor!

Beijos!

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Agora vou contar outra coisa

Desculpem-me a falta de imaginação para títulos… Hahaha…

Bem (adoro essa palavra), há tempos estou louca para comentar alguma coisa sobre o livro Bendita Palavra, que recebi gentilmente da minha amiga (assim já a considero) Maria da Poesia. Ainda não li todas as poesias, mas posso garantir que o livro é uma delícia.
Inclusive, volta e meia ele é notícia. Domingo passado foi citado na coluna da Martha Medeiros e agora está à venda na Americanas.com. Ou seja, mais acessível do que isso, impossível!

mariarezende_oglobo_revoglobo_pg22_17_05_09

Clique na imagem e leia a matéria

Quem estiver atrás de uma poesia que provoca certas reflexões e foge literalmente do rame-rame que existe por aí, CONSUMAM MARIA DA POESIA!

kit Bendita Palavra (livro + CD)

Lógico que não terminaria este post sem deixar uma de suas poesias de lambuja:

AS COISAS BOAS SÃO PRISÕES SEM GRADES
pessoas boas são carcereiros sem chaves
o conforto é uma corrente que ata aos pés bolas imensas
felicidade é parede encobrindo o outro lado

Bons poemas são veneno: afastam palavras novas
caminhos cheios de setas não dão em praias desertas
o acerto de anteontem mata o risco dessa tarde
o sucesso é um uniforme que te obrigam a vestir

E o que é bom vira uma sina
mantém o mundo de cabeça pra cima
e você preso nesse lugar

**

Agora outra, lá vai:

BENDITA É A PALAVRA
que atravessa o meu deserto
e ultrapassa o meu silêncio

Bendita cada letra escrita
cada som soprado ou dito
-seja susurro, seja grito-

Bendito o fruto desse alfabeto
o eco que meus dedos trazem
espelho torto de me revelar

Eu velo é pela força dela
e são pra ela todas as minhas rezas
pro seu feitiço e pra sua ferida

Bendita também a palavra maldita
que bota fogo nesse apartamento
a portadora de toda agonia

Toda palavra carrega um incêndio
cada palavra tem no fundo um mar
bendita é a palavra que se deixa respirar

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