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Sonhar é viver
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para curtir on 9 de março de 2010
Assistir à festa do Oscar não faz muito sentido pra mim porque dificilmente estou com os filmes em dia. Tanto que só nesse último final de semana que finalmente assisti a Quem quer ser um milionário. Claro que gostei do desenrolar da trama principalmente pela realidade ali abordada, aliás, histórias assim são bem comuns no mundo inteiro e poderiam ser mais comuns, no que diz respeito aos finais felizes, se houvessem mais portas.
Mas o que realmente me chamou atenção foi o sonho. Jamal tinha um sonho – Latika. Sabia que ela adorava o tal programa porque representava a oportunidade de uma vida melhor. Jamal, por sua vez, inscreve-se no tal programa e a duras penas atinge seu objetivo – reencontra Latika e, por tabela, praticamente sem querer, vira um milionário. A Índia, que o acompanhou pela TV, cai de amores por ele, que virou o símbolo da esperança.
Não se brinca com o sonho de uma pessoa! Kate Winslate que o diga em Foi apenas um sonho. Que filme! Quem não tem como alcançar seu sonho que mude de sonho, senão enlouquecerá, a mente não para.
Contudo, dou mais valor a um louco sonhador do que a um resignado qualquer. Que graça tem em viver sem paixão, sem ao menos um castelo de areia?!
Agora, não há sonho que se compare a uma possibilidade de concretização! Talvez esse seja o momento da verdadeira felicidade. O que segue é constante, esperado, é como um troféu na estante que só serve pra ser admirado, causar ciúmes e relembrar o momento da conquista.
Afinal, o que é mais emocionante, a partida de futebol ou o troféu após a conquista? Sei lá. Aí vai de cada um. Eu fico com a partida, com a adrenalina, com a surpresa, com o clamor, com a possibilidade…
E, falando em sonhos e possibilidades, está rolando no Riocentro a Olimpíada do Conhecimento do SENAI. Um evento interessantíssimo que envolve centenas de jovens de todos os cantos do país na maior competição de educação profissional das Américas.
Essa Olimpíada do Conhecimento representa uma das principais vitrines profissionais do país que expõe o talento de jovens estudantes, incentiva o desenvolvimento de competências, ensinando os alunos a superar desafios, aproximando-os da realidade do mercado de trabalho e do ambiente industrial. E os melhores colocados disputam uma vaga no WorldSkills, o mais importante torneio internacional de educação profissional.
Imaginem quantos Jamal Malik existem nessa competição? Quantos jovens estão agarrando essa oportunidade com unhas e dentes pra atingir seus objetivos?
Confiante, a mineira Juliana Neumann, de 19 anos, vai disputar em design de modas. “Não estou nervosa. Ao contrário, conhecer as outras equipes me deu mais segurança. Estou cheia de expectativas para ver o que os outros participantes trouxeram em suas coleções para os desfiles”, conta a estudante.
Ansiosa, Lauana Chalub, de 17 anos, do SENAI do Acre, veio para o Rio com grande expectativa e um sonho. “Quero sair com a vitória para o meu estado. A Olimpíada é o primeiro passo para entrarmos ainda mais preparados no mercado de trabalho”, conta.
O paranaense Luiz Antonio Ferreira Junior, de 20 anos, já está no segundo curso de desenho e engenharia mecânica do SENAI. Ele afirma que pretende montar sua própria empresa e diz que a preparação para a Olimpíada é fundamental para sua evolução técnica.
As disputas da Olimpíada do Conhecimento começaram hoje às 9h horas no Riocentro e terminam no próximo sábado. A cerimônia de encerramento e premiação está prevista para as 17h de domingo, no Cais do Porto.
E quem quiser saber mais detalhes em tempo real, acompanhe a olimpíada pelo twitter ou assista a transmissão ao vivo aqui e aqui.
Da Renata,
eterna sonhadora!
Freitas, Freitas, Freitinhas!
Posted by Renata Fern in Amor expresso... em poucas palavras, Bem à vontade on 8 de março de 2010
Música que não sai da minha cabeça….
♫ Freitas, Freitas, Freitinhas!
♫ Freitas, Freitas, Freitinhas!
♫ Freitas, Freitas, Freitinhas!
♫ Freitas, Freitas, Freitinhas!
Enquanto eu corria
Assim eu ía
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca… ♫
Por minha cabeça não passava
Só! Somente Só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser
Só! Só! Somente Só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser
Só! Somente Só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser
Só! Só! Somente Só!
Assim vou lhe chamar
Assim você vai ser…
Eu ía lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Eu ía lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Eu ía lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Eu ía lhe chamar!
Enquanto corria a barca
Lhe chamar!
Enquanto corria a barca…
♫ ♫ Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer…
♫ ♫ Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer…
♫ ♫ Abre a porta e a janela
E vem ver o sol nascer…(+ 3x)
Eu sou um pássaro
Que vivo avoando
Vivo avoando
Sem nunca mais parar
Ai Ai! Ai Ai! Saudade
Não venha me matar ♫ ♫ ♫
Ai Ai! Ai Ai! Saudade
Não venha me matar
Ai Ai! Saudade
Não venha me matar
Ai Ai! Ai Ai! Saudade
Não venha me matar…
Lhe chamar!
A pouca realidade
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Gul(l)ar, Para enlouquecer, Para ler e viajar on 7 de março de 2010
Gula de viver e Gullar – XV
Hoje quando li a coluna do Gullar, me senti em sintonia com o meu ex-parceiro (ex porque ele sumiu!). Quando o Gullar fala de arte, o meu ex-parceiro vai ao delírio. Atualmente, ninguém parece entender a transcendência do que é a arte, como o maior poeta vivo.
Realidade não é arte. Como disse o poeta, mostrar a realidade que já conhecemos é redundante. É uma experiência científica, antropológica, qualquer coisa, menos artística.
Não estou dizendo que a realidade não instiga mudanças, mas é a arte que possibilita infinitamente a criação do universo imaginário e melhora em muito a própria realidade, vence a monotonia.
Quando o Gullar disse que A arte existe porque a realidade é pouca, não nos basta. Copiar a realidade é chover no molhado, ele simplesmente citou Aristóteles, que há séculos, antes de Cristo, disse:
A finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas, não é copiar sua aparência.
Essa conclusão deveria ser óbvia pra todo mundo que se diz artista ou entendido em arte hoje em dia!
É, por isso, que também não entendi aquele episódio do cachorro que morreu de fome em nome da arte. Que arte? Aquilo simplesmente foi um embuste, porque a ideia que se quis passar, de constatar a hipocrisia alheia, foi muito além da realidade comum que se vê nas ruas. O cachorro estava amarrado covardemente, sem qualquer possibilidade de mudar seu destino.
O que se presumiu como arte foi crime, digno de prisão.
Outro caso que também me chamou atenção foi a exposição da tal Sophie Calle. Desde quando expor recalque, orgulho ferido é arte? Desde quando expor as frustrações de um relacionamento, seja em capachos ou em quadros, é arte?
Aquilo ali, pra mim, não soou como superação ou transformação de nada, pelo contrário. Vi um absoluto ressentimento, ranço de história de fogo e falta de humildade.
Se eu fosse o cara da carta famigerada, processaria! Hahaha…
É muito fácil se colocar na posição de vítima ou se achar perfeita e superior como se nada pudesse ser mudado em sua personalidade. Isso é soberba demais para o meu gosto.
A arte (de viver) ali aconteceria, se ela soubesse se colocar no lugar do outro e se reinventar. Mas lamúrias em público? Não consigo nem ver sinceridade nesse tipo de atitude e sim um lance totalmente comercial, um circo interativo de quinta categoria, um caso perfeito para o Dr. Phill ou Márcia Goldschmidt! Nunca, jamais para uma galeria de artes, francamente!
Expor roupa suja ao público, por meio da arte, nunca leva a uma obra-prima. (François Truffaut)
Assim como o poeta e com certeza como o meu queridíssimo ex-parceiro, prefiro a Noite estrelada de Van Gogh:
E agora, com a palavra, Gullar:
São Paulo, domingo, 07 de março de 2010, Folha de São Paulo, Ilustrada.
A pouca realidade
A arte existe porque a realidade não nos basta; copiar a realidade é chover no molhado
LEIO QUE a próxima Bienal de São Paulo será tomada por filmes, fotografias e videoinstalações. E não serão filmes de ficção, mas filmes que tratam da realidade política, econômica e social. Essa notícia veio ajustar-se a uma leitura que tenho feito do rumo tomado pelas artes plásticas, segundo a qual tudo o que nelas era fantasia foi substituído pela realidade. O realismo do passado representava a realidade; o de agora mostra-a.
A grande arte inventa o real, subverte-o, enriquece-o mesmo quando se trata de realistas como Corot ou Courbet. Digo que a arte existe porque a realidade é pouca, não nos basta. Copiar a realidade é chover no molhado.
Após o realismo do século 19, veio o impressionismo, de Monet e Renoir, em que a realidade do mundo dissolvia-se em luz e cores vibrantes, que mudavam com o passar dos minutos. Cézanne queria uma pintura menos fluida, mais sólida, mais próxima do real, porém, grande artista que era, terminou por desintegrar as formas reais em manchas, abrindo caminho para o cubismo. Ele dizia que, sem a natureza, não havia pintura, mas, em vez de copiá-la, tratou de mudá-la em sua pintura: a substância das maçãs que pintou é pictórica, não é a mesma da maçã real.
Pois bem, os cubistas inverteram a questão; em vez de partirem da natureza, partiram da tela, dos elementos gráficos e cromáticos para reinventar o real: o cachimbo, que se vê numa natureza-morta de Braque, não existe; ele o inventou. Foi o começo de uma revolução que a tudo subverteu e, o quadro, agora, tanto podia ser pintado como feito de recortes de jornal, fios de arame, barbante, areia, pano colado na tela. Expulso da pintura o objeto natural, tornou-se o quadro o objeto da pintura e, assim, qualquer coisa que se pusesse ali viraria arte. E nasceram a arte Merz (quadros-colagens), de Schwitters; o dadaísmo, de Arp e Duchamp; o suprematismo, de Malevitch; sem falar no neoplasticismo, de Mondrian. Implodida a linguagem pictórica, todos os caminhos se tornaram possíveis, menos a volta à imitação da natureza.
A tendência realista foi consequência da substituição da visão religiosa pela concepção científica e do desenvolvimento industrial. A linguagem abstrato-geométrica da arte levou Malevitch ao impasse da tela em branco, que o fez trocar o quadro pela construção no espaço real. Por sua vez, Schwitters passou a construir o Merzbau, uma “assemblage” tridimensional, que crescia todos os dias, a cada novo elemento que ele trazia da rua. Lygia Clark, décadas depois, no Brasil, diante do mesmo impasse, também abandonava a tela pela construção no espaço real, inventando os bichos e objetos relacionais, que, na verdade, eram pura sensorialidade, ou seja, a expressão reduzida à sua realidade material.
Com a eliminação da referência à natureza e o fim da linguagem pictórica, o quadro, como espaço imaginário, morrera e a matéria da arte passou a ser a realidade “tout court”. A rejeição da arte, como expressão estética, tornou-se a tendência preponderante. Se um artista amarra um cão numa galeria de arte, para fazê-lo morrer de fome e sede, e outro convida pessoas para verem larvas de moscas através de um microscópio, deixam evidente que o que lhes resta é mostrar a realidade, já que, sem a linguagem da pintura, não podem reinventá-la, como a arte sempre fez. E assim são levados a crer que o que vale é o real; arte é mentira. Sim, a mentira mais verdadeira que a verdade, como o sabia Pablo Picasso.
Os estetas e teóricos da arte, como os artistas, sempre entenderam que arte e realidade são coisas distintas, pelo fato mesmo de que a arte-pintura, sendo um modo de expressão, não tem a materialidade das coisas reais. Ao substituir as significações simbólicas pela exposição pura e simples dos fenômenos reais, abre-se mão da capacidade humana de criar um universo imaginário que, durante milênios, contribuiu para fazer de nós seres culturais, distintos dos demais seres vivos que, estes, sim, limitam-se à experiência do mundo material.
Neste contexto, a próxima Bienal de São Paulo muda-se em festival de cinema, fotos e vídeos para nos mostrar a realidade que já conhecemos: a guerra, as penitenciárias, os prostíbulos, os drogados, enfim, o pesadelo redundante, que nos chega diariamente pela televisão e pelos jornais. Ao contrário disso, uma obra de arte como “Noite Estrelada”, de Van Gogh, por exemplo, não é nunca redundante; é sempre atual, é um deslumbramento a mais no mundo. A arte existe porque a realidade não nos basta, sabiam?
Educação versus tecnologia
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para enlouquecer on 7 de março de 2010
Outro dia critiquei o fato de algumas pessoas se excluírem do mundo digital. Disse (abismada) que ainda é possível viver sem internet, embora essa atual exclusão, opcional ou não, já tenha comprometido bastante a adaptação neste mundo, que promete ser cada vez mais tecnológico.
Mas citei a internet apenas como um dos meios de comunicação, sem enfatizar que já é o principal expoente da comunicação. O problema, que não é mais problema, graças aos smartphones, é o acesso à internet. Só não carrega a internet no bolso quem não quer ou quem ainda não pôde investir em um desses celulares inteligentes.
E hoje, curiosamente, lendo a coluna da Danuza Leão na Folha de SP, que sempre leio com uma certa implicância, tenho que admitir que ela acertou em cheio no tema. Fez uma excelente crítica ao péssimo comportamento que está se desenvolvendo com o uso desses celulares modernos e me fez pensar no conflito de gerações, que mesmo ignorado pelas indústrias, existe e se destaca quando o assunto é educação.
Ou seja, não há escapatória, educação é elementar à existência e se sobrepõe a tudo que se possa imaginar, ao mais avançado conceito tecnológico. Por exemplo, quando tive o meu primeiro celular também sofri daquela submissão tecnológica, cheguei ao ponto de dormir com o aparelhinho ligado pensando na possibilidade de alguém me ligar altas horas, como se o meu sono não fosse mais importante. O celular passou a ser parte integrante do meu corpo, estava sempre comigo. Tudo bem que em caso de desgraça, catástrofe, qualquer emergência o aparelhinho ligado full time é de grande serventia. Mas pensar assim não é paranóia demais?
Foi por isso que criei expediente para o meu celular. O bendito fica ligado quando eu me sinto disponível para falar com quem quer que seja. Do contrário, a pessoa que deixe seu recado, que eu retornarei assim que puder.
Não interrompo minhas refeições, conversas com amigos, momentos íntimos, aliás, nessas ocasiões o pobre nem fica mais do meu lado. A não ser quando estou esperando uma ligação de extrema importância ou que seja também de interesse das pessoas que estão ali comigo. Existem casos e casos.
Entretanto, o que percebo hoje em dia é que a maioria das pessoas conectadas se perde no falso prazer dessa ânsia de ser mídia a qualquer momento, com esses aparelhinhos cada vez mais sofisticados. Viram ‘usuárias compulsivas’, banalizando qualquer intimidade, exclusividade, ou coisas que deveriam apenas ser ditas ao pé do ouvido de alguém especial e não aos sete cantos do mundo. Vejo tudo isso como uma grande histeria coletiva, como se ninguém mais conseguisse ficar sozinho-sozinho.
Sei lá! Estou cada vez mais reticente quanto a essas exposições exageradas e submissões tecnológicas, que as pessoas mal se dão conta.
Tenho contatos no twitter que ficam online praticamente tempo integral, falando sobre tudo, dando um passo a passo do seu cotidiano, expondo pensamentos sucessivos, de segunda a segunda. Acho um exagero! Oitenta por cento (sendo bem legal) do que é dito não me interessa e também não interessa a ninguém.
É preciso cuidado pra não cair nessa esparrela que são as redes sociais, levando em conta aquele papo do “trepar socializado” de Marcuse. Sem contar que manter a privacidade e a discrição de certos assuntos também é uma questão de educação.
Mas voltando ao papo da Danuza, o que ficou claro pra mim é que enquanto os futurólogos queimam as pestanas em como conciliar as mídias para um mundo mais informatizado e interativo, esquece-se a questão do conflito de gerações.
Aliás, essa questão me parece um tanto quanto ultrapassada, considerando as exigências profissionais e até mesmo sociais. Em linhas gerais, não importa mais a idade e as experiências individuais e sim a pré-disposição que qualquer um tenha à obtenção de resultados imediatos. É só isso que interessa ao mercado.
Infelizmente, o tempo em que vivemos é o sobrepujamento do passado e futuro. É um atropelo em nome da ruptura que não se sabe exatamente de quê. Daí a existência de tantos outros conflitos, como os ideológicos, culturais, étnicos, políticos, religiosos, organizacionais, internacionais e até mesmo existenciais.
E eu me pergunto: Pra que tanta pressa? Que cretinice!
São muitos os exemplos que fazem nossa sociedade totalmente paradoxal, porque o conflito maior e subsequente ao conflito de gerações é o conflito de interesses entre os governantes e os governados, a indústria, o trabalhador e o consumidor. O homem é capaz de lançar satélites meteorológicos de quinhentos milhões de dólares no espaço, mas não resolve o problema da fome, do trabalho escravo etcetera e tal. Problemas considerados redundantes e que parecem sem fim, mas que são primordiais à evolução da sociedade e às expectativas das gerações, que distinguem muito bem em seus sonhos o conceito de superficial e essencial.
Enquanto uns sonham com os smartphones da vida, outros sonham com a esperança de óculos, um filho de cuca legal, querem plantar e colher com a mão, a pimenta e o sal.
Como disse a Danuza, o que os gênios dessa indústria ainda não perceberam é que existe um imenso nicho a ser explorado: o das pessoas que, apesar de conseguirem sobreviver no mundo da tecnologia, têm uma alma simples.
E essa alma simples, pelo menos no meu entender, tem a ver com senso de benevolência, que só a sabedoria adquirida ao longo dos anos, geração após geração, pode firmar, educar.
É esse senso que se fosse conservado e valorizado como alicerce para o futuro, tornaria nosso presente muito melhor e não o futuro, que para muitos de nós sequer acontecerá.
Pensar no futuro, agir como se lá estivesse, ou fazer uso de coisas modernas ignorando tantos problemas sociais pendentes é um acinte.
Como resolver esse caos a tempo? Não faço a menor ideia.
Mas, com certeza, não é twitando o que se passa na própria umbigosfera de segunda a segunda, tempo integral, via smartphone, privando-se de qualquer exclusividade e interrompendo momentos reais. Isso é o cúmulo do egocentrismo, da superficialidade e de sei lá mais o quê.
Da Renata,
que foge da histeria coletiva,
que sonha com um mundo melhor,
mas que quer muito um smartphone!
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DANUZA LEÃO
São Paulo, domingo, 7 de março de 2010, Folha de São Paulo, Ilustrada.
A felicidade dura pouco
Com alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total.
HÁ MUITOS, muitos anos, havia uma musica de Zé Rodrix que nos emocionava. Os primeiros versos diziam “eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais”; e continuava dizendo coisas lindas, como “eu quero a esperança de óculos e um filho de cuca legal, eu quero plantar e colher com as mãos a pimenta e o sal”. Era com isso que sonhávamos, mesmo sem saber, ou era o que gostaríamos de querer; belos tempos.
Os anos passaram, e os sonhos, no lugar de se ampliarem, encolheram.
O que é que se quer hoje em dia? Menos, acredite, pois querer um celular novo que faz coisas que até Deus duvida é querer pouco da vida. Meu maior sonho é bem modesto.
Nada me daria mais felicidade do que um celular que não fizesse nada, além de receber e fazer ligações. Os gênios dessa indústria ainda não perceberam que existe um imenso nicho a ser explorado: o das pessoas que, apesar de conseguirem sobreviver no mundo da tecnologia, têm uma alma simples.
As duas mais dramáticas novidades trazidas pelos celular foram as odiosas maquininhas fotográficas e a impossibilidade de uma conversa a dois. Quando duas pessoas saem para jantar, é inevitável: um deles põe o celular -às vezes dois- em cima da mesa. O outro só tem uma solução: engolir, mesmo sem água, um tranquilizante tarja preta.
No meio de uma conversa palpitante, o telefone toca, e a pessoa faz um gesto de “é só um minuto”. Não é, claro. Vira um grande bate-papo, e não existe solidão maior do que estar ao lado de alguém que te larga -abandona, a bem dizer- para conversar com outra pessoa. No meio de um deserto, inteiramente sós, estamos acompanhados por nossos pensamentos. Com alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails ou checando as mensagens, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total, pois nem se está só nem se está acompanhado. Tão trágico quanto, é estar falando com alguém que tem um telefone com duas linhas; no meio do maior papo, ele diz “aguenta aí que vou atender a outra linha” e frequentemente volta e diz “te ligo já” -e aí você não pode usar seu próprio telefone, já que ele vai ligar já (e às vezes não liga). Não dá.
Raros são os que atendem e dizem “estou com uma amiga, depois te ligo” -nem precisavam atender, já que o número de quem chama aparece no visor, e as pessoas têm todos eles de cor na cabeça, como eu não sei.
Eu juro que tentei, já troquei de celular três vezes, mas desisti. Recebia contas que não entendia, entrei, de idiota, num “plano”, e quase enlouqueci quando quis sair. Hoje tenho um que praticamente não uso, mas é pré-pago, e só umas quatro pessoas conhecem; ponho 20 reais de crédito, se não usar não vou à falência, mas pelo menos não recebo aquelas contas falando de torpedos e SMS, coisas que prefiro nem saber que existem. Ah, e meus telefones fixos são com fio.
Do carro já me livrei: há cinco anos não procuro vaga, não faço vistoria, não pago IPVA, nem seguro, e sou louca por um táxi. Até ontem me considerava uma mulher feliz, mas sempre soube que a felicidade dura pouco: hoje ganhei um iPod. Uma quase tragédia, eu diria.
Bebês a bordo
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para enlouquecer on 23 de fevereiro de 2010
Quando eu era criança tive uma boneca que batizei de ‘Lúcia’. Ela era bem interessante: cabelão loiro até os ombros e o corpo vermelho de espuma. A Lúcia era maior do que eu. Pegava a coitada pela mão e arrastava por todos os lugares. A minha vida era passear com a Lúcia, minha filhinha, e colocá-la para dormir. Se me lembro bem, ela não fechava os olhos e, por isso, eu acabava dormindo primeiro. Em compensação, quem sempre acordava primeiro era ela.
A vantagem da Lúcia é que ela não era só uma boneca, era uma almofada, ou seja, ela vivia grudada comigo, eu dormia abraçada com ela. Até banho tomávamos juntas. Depois era só torcer bem a ‘Úcia’ e pendurá-la no varal. A minha mãe disse que levei um choque no dia em que vi a ‘Úcia’ pendurada no varal. Exigi que tirasse a pobre de lá aos prantos. E a partir de então ela se secava na cadeira da varanda, como se fosse uma pessoa pegando sol.
Lá pelas tantas, depois de ganhar outras mil bonecas e crescer mais um pouquinho, fui visitar uma vizinha com a Lúcia a tiracolo. A filha da vizinha, mais nova do que eu, se apaixonou pela Lúcia, mesmo já um pouco desbotada, cabelo desgrenhado, a tal da Deda, queria porque queria a Lúcia. O meu primeiro ímpeto foi: NÃO! Mas a minha mãe achou que era mais fácil eu desistir da Lúcia do que a Deda. Deve ter dito: Dá a Lúcia pra Deda, você tem outras bonecas mais bonitas, a Lúcia está velha, acabada. E eu ligeiramente persuadida dei a Lúcia pra Deda.
Naquela noite ninguém dormiu. Eu não chorava, eu gritava: Eu quero a ‘Úcia’! Eu quero a ‘Úcia’. Fiquei tão arrasada que tive febre. E não havia boneca no mundo que substituísse a ‘Úcia’. Não me lembro o que me distraiu. Só sei que nunca fui amiga da tal da Deda que até hoje mora aqui perto.
Depois da Úcia, fui mãe de mais umas tantas, mas a relação não era tão intensa. Abandonei todas de vez quando ganhei a minha primeira caloi.
Mas que papo é esse, Renata?
Bem, é pra dizer que nós meninas somos programadas para ser mães desde pequenas. As mães estimulam as brincadeiras. O comércio mais ainda. É natural crescermos com essa vontade maternal aguçada, fora o instinto do próprio sexo entranhado. Aprendemos muito cedo o conceito de mãe e família, enquanto os meninos aprendem a se aventurar, com suas bolas, carrinhos, pipas… Nunca vi menino ganhar boneco ou casinha pra brincar de papai e filhinho. Daí talvez isso explique por que ser homem é mais legal, por que os homens amadurecem muito tempo depois. Enfim.
Se é fácil ensinar a ser mãe, por que não ensinam sobre sexo e suas consequências, finanças?
Digo isso porque cresci querendo ser mãe, mas com a consciência de que não basta querer, existem outras implicações. Sou uma em cem mil ou mais talvez com essa percepção.
E as crianças nascem a torto e a direita, como se não houvesse amanhã.
Atualmente, um dos 6 filhos do empregado daqui de casa, que tem apenas 18 anos, tratou de arrumar uma namorada e colocá-la dentro da casa do pai que também sustenta 7 NETOS. Não dou um mês para essa menina aparecer grávida.
A minha prima que tem um filho superativo criado aos trancos e barrancos, tendo que bancar terapia etc, engravidou de novo, mesmo com a vida financeira apertadíssima, não interessa, a minha prima vai ser mãe de novo! E outros casos por aí porque ultimamente o que mais tenho visto é mulher grávida ou com bebê recém-nascido de qualquer nível social.
Sinto que as mulheres de uma maneira inexplicável, consumidas por um desejo desenfreado, abriram as fábricas, querem ser mães urgentemente, porque grande parte (SIM) sabe como prevenir e não o faz, seguem a filosofia de que no final das contas tudo se ajeita.
Talvez eu seja responsável e neurótica demais nessa parte. Porque se desse evasão para o meu instinto, já teria tido uns três e ainda teria adotado mais alguns. Mas me acho tão despreparada financeiramente… Filho pra mim é sinônimo de cifrão. Além do que é preciso coragem, se libertar do receio de qualquer coisa dar errado e de que o mundo não é tão violento.
Eu vou ser mãe muito em breve, faz parte dos meus planos, mas só porque esse sonho representa um plano minuciosamente calculado.
Entenderam?
Berros e estampidos
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Gul(l)ar on 14 de fevereiro de 2010
O poeta foi ao cinema e voltou com a mesma impressão que tenho tido com as super produções cinematográficas. Nada contra tecnologia, acho que tudo que inova é sempre válido. E ainda bem que o cinema é bastante abrangente, há espaço para todos os gostos. Mas não sou surda, efeitos sonoros no último volume me provocam um grande incômodo e cansaço; detesto assistir a uma nova versão de qualquer história e me deparar com deturpações grotescas; e cinema pra mim é como a diferença entre um filme com cenas sensuais e outro com cenas pornográficas. Quem disse que eu quero ver tudo? Acho bom quando a minha imaginação e sentimentos rolam soltos. É isso que me surpreende, que me causa prazer. Diante do pronto e acabado, não me restam muitas alternativas. É sim ou não porque tem que ser.
Gula de viver & Gullar XIV
Ferreira Gullar
São Paulo, domingo, 14 de fevereiro de 2010, Folha de São Paulo, Ilustrada.
Ao que tudo indica, a trilha sonora cheia de estrondos e alaridos vai tomar conta do cinema
O CALOR insuportável que tem feito no Rio, desde janeiro, me levou a frequentar os cinemas mais do que costumo. As salas estão sempre lotadas, particularmente se o filme é “Avatar”, sucesso de bilheteria no mundo inteiro. Pelo que afirmavam os críticos de cinema, teria ido vê-lo, ainda que o verão fosse ameno.
Não sei dizer ao certo se gostei ou não do filme, pois a verdade é que fui arrastado para dentro de um mundo fantástico e perturbador. Confesso que, diferentemente de outros, não me agrada sentir-me atordoado, fora de meu controle, quase incapacitado de refletir sobre o que estou vendo ou ouvindo. Por isso mesmo, as drogas nunca me atraíram.
Mas mergulhei naquele espetáculo em 3D, ora fascinado pelas flores esvoaçantes que pareciam roçar-me o rosto, ora perplexo diante daquelas aves gigantescas, cavalgadas por homens e mulheres azuis, de inusitada estatura.
Pude avaliar o que consegue fazer a nova tecnologia cinematográfica, cujas imagens surpreendentes tornam-se plausíveis e espantosamente reais. Impossível negar-se a tal espetáculo arrebatador. Isso no que se refere às imagens e aos efeitos sonoros. Já a história contada é banal, mera repetição do que mostravam os velhos filmes de Hollywood, envolvendo o colonizador branco e os índios pele-vermelha.
O filme é contraditório ao mostrar a vitória da cultura mítica, primitiva, de Pandora, sobre a mais avançada tecnologia, quando ele mesmo, como cinema, é uma exaltação da civilização tecnológica.
Depois dessa viagem atordoante do “Avatar”, decidi descansar a alma e os ouvidos vendo o filme de Sherlock Holmes, numa nova versão, de Guy Ritchie. Se esperava relaxar e me divertir é que, na minha ingenuidade, pensava reencontrar o detetive fleumático e reflexivo, que conhecia de outra época e de outros filmes. Nada de histeria e estridência.
Pode o leitor então avaliar o susto que levei quando o filme começou, alvejando-me com bordoadas acústicas atordoantes. E me perguntava que diabo era aquilo, enquanto as carruagens passavam quase por cima de mim, estrondeando a cada trambolhão. E não só elas, mas tudo o mais: a porta ao bater, os passos na escada, o chute numa lata. O Sherlock que eu conhecia, de rosto bem barbeado, cachimbo e gestos medidos, era agora, nesta versão, um sujeito mal vestido, fedido, de barbas por fazer, e campeão de luta livre, capaz de receber e também desferir golpes brutais.
A vontade que tive foi de cair fora do cinema, já que me haviam transformado num saco de pancadas, mas me contive ao lembrar que, lá fora, o que me esperava era uma tarde vazia de sábado e um calor de 50 graus à sombra.
Fiquei. E assim, entre atropelos e sustos, assisti ao filme até o fim, mal entendendo como foi que aquele novo Sherlock, mais chegado aos murros que à reflexão, desvendara as artimanhas do bandido, que parecia um Drácula, retornado do túmulo e contra o qual os mortais humanos nada poderiam.
E, desse modo, contrariando os antigos filmes de Sherlock Holmes, em vez de chegar ao fim da película com um sorriso nos lábios, respirei aliviado por me ver livre do atropelo a que fora submetido durante quase duas horas. Vou guardar o nome desse diretor, falei comigo mesmo, para nunca mais cair em armadilha semelhante.
Não sei, porém, se vai adiantar muito, já que, ao que tudo indica, a trilha sonora de estrondos e alaridos vai tomar conta do cinema daqui para a frente. Digo isto porque, mesmo antes desses filmes, já vinha me sentindo agredido pela altura do som nos cinemas, especialmente nos minutos iniciais da sessão, quando se apresentam as próximas películas. As cenas, além de fulminantes como raios, são acompanhadas de ruídos de assustadora estridência, obrigando-me a me encolher na poltrona, como se uma bomba acabasse de explodir a poucos metros de mim.
Daqui para diante, o cinema será isso? Acabou-se aquele tipo de filme que nos fazia penetrar nas intenções dos personagens, viver com eles o momento de hesitação ou encantamento? O cinema não é mais para nos fazer pensar e nos comover com os sentimentos dos personagens. Sentimento é coisa antiga. Os personagens apenas agem, chutam, espancam, trucidam, destroem, num mundo em que tudo é violência e brutalidade.
E aí me lembrei que, em “Avatar”, um terráqueo muda de lado e vira guerreiro da tribo primitiva de Pandora. Vai ver que é isso o que esse novo cinema pretende: levar-nos de volta à vida selvagem.
Agora SIM…
Posted by Renata Fern in Bem à vontade on 12 de fevereiro de 2010
… entrei no clima!
É CARNAVAL!!!!
Uuuuuuuuuuuhhhhhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!
Picardia
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para enlouquecer on 10 de fevereiro de 2010
Prezado leitor,
Prepare-se para fazer um caminho sem volta no meu blog. Preste atenção como uma coisa leva a outra.
Não aguento quando me perguntam como tenho saco pra internet. Não é uma questão de ter ou não saco. Simplesmente trabalho online, é natural que eu usufrua a parte de entretenimento também. Entre um trabalhinho e outro, atualizo os tweets e falo com algumas pessoas pelo msn ou skype etc.
_ … atualiza o quê?
_ Tweets!
_ 0.O
_ Tweets, twitter.
_ Ahhhh…
Com essa deu pra sacar que a pessoa ouviu falar remotamente sobre twitter e não faz a menor ideia do que se trata efetivamente. O pior é que ainda insistiu em criticar minhas atividades online:
_Eu não tenho saco pra ficar nessa o dia inteiro. Pego logo e ligo!
Até aí morreu Neves. Não me disse nada. Mas tentando analisar calmamente, se a pessoa falou das redes pensando no internauta maníaco, realmente as redes absorvem muito e um contato mais direto, pessoal, é sempre melhor. Mas se a pessoa falou de um modo geral, deu pra perceber que ela não entende patavina de internet, muito menos do que as redes possibilitam, incluindo um contato mais direto!
Já com um quê de irritação, concluo que provavelmente essa pessoa paga a internet pra acessar… nem imagino o quê. Orkut, com certeza!
_Não, eu não tenho orkut. Aquilo lá me irrita.
Aí quem ficou com cara de tacho fui eu. No Brasil qualquer usuário reles tem orkut.
Dos dez mil degraus que a pessoa tinha descido no início da conversa, subiu três nesse momento.
_E por que o orkut te irrita?
_ Ah é muito ti-ti-ti, assuntos sem consistência nenhuma. Não preciso me expor na internet pra interagir com um amigo que seja, na frente de outros desconhecidos, só pra falar besteira.
_Que tipo de besteira?
_Bajulações, piadinhas inconvenientes, provocações, sexo…
Nesse momento, a pessoa subiu uns mil degraus no meu conceito. Comecei a me interessar pelo papo de verdade e entendi que de fato ninguém é obrigado a gostar de internet. Existem várias formas de comunicação, a internet é ainda apenas uma delas. Sei que isso soa estranho à beça, mas ainda é possível viver sem internet. Embora eu acredite que essa exclusão digital já tenha comprometido bastante o futuro dessa pessoa, sem que ela se dê conta do tamanho do prejuízo, enfim…
E eu que já estava taxando a pessoa de ignorante pra baixo no início da conversa, com aquele meu saquinho de filó básico, tive que dar a mão à palmatória sobre a percepção aparentemente vaga daquela pessoa. Uma coisa é certa, existem contatos e contatos, um é a sua resposta, o outro, pura provocação! E você acaba sendo diferente com cada um deles.
Cria-se facilmente um ambiente de picardia, principalmente com as pessoas mais próximas, parece incrível! Esnobação, exibicionismo, competição, alfinetadas, zombaria, nem sempre no clima do humor do dia, do grau de TPM.
E criticar a consistência de certos assuntos não sei até que ponto é relevante, afinal, muitos só querem bundear, extravasar sem compromisso filosófico ou intelectual. Não há pecado nisso. Cada um é que sabe de si.
Mas sobre sexo especialmente, assunto que rola em qualquer lugar e o tempo inteiro, considerando também o fato de que não há como não ter uma opinião sobre o tema, sou adepta daquele conceito de que quanto mais se fala (escreve), menos se faz, embora contraditoriamente seja necessário falar (escrever), no mínimo, a título de informação. Sexo sempre causará polêmica, curiosidade pela novidade que representa a cada experiência, mas divagações sobre ceninhas eróticas do jeito que leio excessivamente em vários blogs, tweets não me dizem absolutamente nada! Isso é papo de masturbador, de ranço de *história de fogo, histeria!!!
Não foi à toa que Francis disse ao Bial em 89: Pedro, o ser humano é de classe média!
Filosofando sério a la Freitas…
Ou seja, a genialidade dessa simples frase do Francis concluiu que no fim das contas todo mundo gosta das mesmas coisas. Exatamente o que Marx não previu. A história mostrou que não é a base material, é a superestrutura de valores que conta.
Marx pensava apenas no materialismo. Esqueceu que o homem se vende pelo prazer e nele se perde.
Prazer é libido. Porque prazer por bens materiais ou sociais já é abstração do prazer. Essa distinção que ninguém entende hoje em dia.
Mas como é difícil satisfazer a libido, talvez até impossível, é mais fácil apelar pra representação. Nesse ponto faltou ao Marx, uma pequena dose de Freud.
Marx esqueceu que a busca do materialismo já é uma busca por valores, já é uma representação. Pão e circo resolvem. A libido não satisfeita busca satisfação no materialismo. Não pra resolver questões essenciais e sim pelo “prazer simbólico”.
Agora, quando a libido é totalmente satisfeita… ama-se até numa casinha de sapê. E dinheiro pouco importa. O homem descobre que nasceu pra trepar!!!
O problema é que não podemos nos dedicar a essa libido compulsivamente. Se ficarmos só trepando, morremos.
Esse é o raciocínio do Herbert Marcuse. Ethos = pathos; Prazer = morte. Por isso, o homem é pluridimensional. Com dimensões de falso prazer, representações do prazer. Tipo: cinema – jantar – boite – hotel. O “trepar socializado”.
Marcuse é genial! Entretanto, quem está na moda é o Zizek, que pega Lacan em vez de Freud. Lacan fala de representações simbólicas “socializadas” do (falso) prazer. O (falso) prazer é necessário senão a sociedade acaba em Sodoma e Gomorra… Hahahah..
Concluindo: Marcuse escreveu sobre um homem multidimensional. Em oposição a um homem unidimensional. Ele fala em dimensões. Lacan fala de representações simbólicas, que Marcuse chamava de sublimação.
O ponto comum é que os dois veem nisso um aspecto repressivo do social. Marcuse chamava as tais representações de sublimação repressiva ou dessublimação. Semelhante a: perdi meu amor, vou virar freira. Ou vou sair dando por aí e que se foda.
Mas libido não é sexo. É sexo-amor. Com amor. Ou como realização do amor. Gozar por gozar é como punheta, comer por comer ou dar por dar é o mesmo que punheta. Não é libido. Não é prazer (ato + sentimento). É repressão. Zizek exemplifica com cinema, rock e, por isso, é badaladão!
Tem um texto dele sobre o filme do Mel Gibson: “A fé em tempos de café descafeinado“. Como está valorizado o fato de as coisas perderem sua essência: leite desnatado, café descafeinado, adoçante em vez de açúcar, doce dietético, tecido sintético por seda, realidade virtual, sexo no computador. O problema é pagar as contas, não ser feliz. Porque ser feliz é comprar coisas, mesmo que não precise delas. Total deturpação! Aquele papo de que a melhor terapia é gastar, fazer compras, é balela! Isso é coisa de homem de classe média.
Entenderam como uma coisa leva a outra? Aquela simples frase do Francis estava profundamente embasada. A classe E não tem plano de saúde mas tem TV a cabo. A classe E quer tênis da moda. A classe E não estuda, mas frequenta bares, boites, bailes funks e aí…vai ficando atoladinha, vai ficando atoladinha…
É a degradação humana. O homem se perde no pseudo prazer, que é a tal repressão.
Prazer é sorrir sem saber bem o porquê. Está relacionado com espontaneidade. Quando amamos, sorrimos sozinhos. Por nada. Isso é pura libido!!!
Contudo, ainda existem os espertos que acham que sexo não tem nada a ver com amor.
O sexo é a procura, é o meio de amar, de consumar apenas o amor. O resto é bronha!
Por isso também que ninguém é feliz sozinho, o amor é a dois.
Só mais uma coisinha: A tal frase do Francis explicou muito bem a derrubada do muro.
E também o porquê de quase ninguém abordar o assunto “sexo” com consistência. O ser humano é de classe média “e gosta mesmo é de cultura de mídia” – o final é meu.
Da Renata,
Que nem ri mais dos que vivem de picardia;
Que sobre sexo, não dá ibope pra tosqueiras;
Preocupa-se apenas com seu amor!
*OTTO
Atirando para todos os lados…
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para enlouquecer on 8 de fevereiro de 2010
Quem lê o meu blog sabe que reclamo com frequência dessa instabilidade econômica, dessas oportunidades medíocres que surgem por aí e ainda chamam de trabalho.
Medíocres porque, COM SORTE, pagam as contas no final do mês. E o povo vai vivendo cheio de vontades e necessidades além das básicas, muito além das básicas.
Trabalho, no meu entender, tem que pagar as contas e concretizar os sonhos. Trabalho bom, digno, é aquele que possibilita e não impossibilita.
Fico pau da vida quando penso nisso porque nada é mais retrógrado do que essa sociedade seletiva! Quem não está dentro, está fora! Com uma mão na frente e outra atrás, diga-se de passagem!
Mas vamos deixar de lado minhas opiniões políticas, sonhadoras e revolucionárias e falar sobre como se ganha dinheiro na internet.
Gente, isso pra mim é tão indesvendável quanto os segredos da esfinge. Por favor, se alguém souber de algo, deixe pelo menos uma pista.
Empresas, agências, qualquer coisa que já existe e concilia a internet como meio, isso entendo perfeitamente. Até porque é lógico.
Agora como alguém começa do zero, vira empresário ou blogueiro profissional, webwriter e deslancha na vida virtual e real, isso foge um pouco da minha capacidade de compreensão e desperta em mim uma profunda inveja. Porque são tantos blogs, tantas opiniões. Peneirar qualidade e conteúdo acaba ficando por conta das estatísticas e isso é contar demais com a sorte para o meu gosto!
Definitivamente não consigo ter uma ideia que não exija um capital inicial considerável e olha que sou uma pessoa com muitas ideias, acredite! Mesmo tendo abandonado meu lado megalomaníaco, sobraram várias humildezinhas.
Tenho dois super projetos na manga para o mundo virtual, ambos em standby, esperando verba. Incrível, estou sempre dependendo de um sócio investidor!
Aliás, se VOCÊ que está me lendo neste momento NÃO SABE O QUE FAZER COM O SEU DINHEIRO, VIRE MEU SÓCIO INVESTIDOR E TRANSFORME SUA VIDA NUMA AVENTURA!
Brincadeiras a parte, é óbvio que vejo muitas oportunidades na internet, estou sempre atrás de todas elas. Mas acho que é aí que me dano.
O meu querido guru Freitas diz o seguinte: Correr atrás de uma oportunidade é inútil. O lance é correr na frente.
Caramba, Freitas! Você está certo, certíssimo como sempre. Chego a duas conclusões, ou minhas pernas são fracas ou nunca tive o impulso, incentivo, sorte, qualquer coisa que me jogasse pra frente.
Há uns anos comecei a trabalhar online e do zero. Acreditei que tivesse tirado a sorte grande. Pensei: Daqui pra frente vai ser moleza! O dinheiro pintou rápido, fiz e aconteci. Mas depois, sei lá. Talvez o mercado tenha saturado, talvez a crise econômica de 2009 tenha deixado sequelas graves no meu ramo ou talvez seja algo pessoal mesmo.
Sabe como é? Quando a gente não entende o sentido dos acontecimentos, a gente acaba se culpando, se martirizando, vendo pêlo em ovo, fantasmas, pensando logo no sobrenatural.
Só sei que a coisa desandou e eu que já não vivia num mercado muito estável, hoje me sinto completamente desprotegida e com CONTAS A PAGAR!!!
E já que essa é uma realidade geral, resolvi me promover! Quero expandir minha capacidade de trabalho remoto, seguir várias linhas na área de telecommuting, colocando-me à disposição como redatora, produtora de conteúdo >>> webwriter!
O mercado de marketing digital está em ascensão continuamente e é muito mais do que um festival de spam. Posso ser porta-voz multimídia do seu negócio. Posso dar aulas também, ensino a escrever usando a nova ortografia, pensar, viver…
Entre em contato, você não vai se arrepender.
Da Renata,
Versátil e aprendiz de feiticeira =D
Programa para o final de semana
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para curtir on 5 de fevereiro de 2010
O bom de ser carioca é que, na falta do que fazer especificamente, basta caminhar até a praia para participar de vários espetáculos ao ar livre.
Ir à praia não é só mergulhar e ficar de papo para o ar. É uma social, um lazer do qual só o carioca sabe desfrutar.
Lá você pode não dar bola para ninguém, curtir a paisagem egoistamente e ir embora para casa, como também pode encontrar várias pessoas e dali em diante, meu camará, só Deus sabe o que pode acontecer!
Tem água de coco, é o globo sal e doce, tem esporte, tem calçadão que mais parece um tapete vermelho não apenas por exibir famosos, mas por onde desfilam o preto, o branco, o rico, o pobre, o brasileiro, o gringo, todos abençoados pelo Cristo Redentor, sob a luz intensa do astro rei que é de sapecar a moleira!
Também tem bloco para todos os gêneros, até para quem não gosta de samba, acreditem! Porque é fevereiro e tem carnaval!
E amanhã tem Tour da Taça da Copa do Mundo que já é nossa! É NOSSA, GALERA!!! E todo mundo já sabe! Tenho certeza de que a marchinha de amanhã será uma só:
A taça do mundo é nossa
Com brasileiro não há quem possa
Êh eta esquadrão de ouro
É bom no samba, é bom no couro
O tour do símbolo do futebol mundial que começou na sede da Fifa, em 21 de setembro de 2009, e segue pelo mundo até chegar ao país-sede da Copa do Mundo de 2010, a África do Sul, em 4 de maio, estará no Rio de Janeiro neste final de semana, precisamente no Forte de Copacabana, incluindo transmissão AO VIVO pela internet patrocinada pela Coca-cola.
Sim, galera, nem tudo é festa. A exposição não é aberta. Dias 6 (RJ) e 8/02 (SP) para convidados VIPS e dias 7 (RJ) e 9/02 (SP) para quem conseguiu os ingressos nas promoções realizadas pela Coca-cola.
Portanto, se domingo você estiver na praia como quem não quer nada ou em qualquer outro lugar às 17:30h e quiser dar uma espiada no evento com o seu celular 3G, acesse http://comemore.cocacola.com.br
Show de bola, hein?!
Fica a dica para os apaixonados pelo futebol!
*Fonte: Blog BigSense, por Rodrigo Bastos
Era só o que me faltava
Posted by Renata Fern in Bem à vontade on 2 de fevereiro de 2010
Como se não bastasse as dificuldades do dia a dia, a minha insatisfação comigo mesma, essa vida financeiramente medíocre, esse monte de vontades e necessidades, o meu PC resolveu me enlouquecer!!! E o dvd com o backup de fotos de três anos pra cá também.
O PC anda temperamental e não há nada que leia os dados do dvd. Isso porque tudo foi feito com o maior carinho e atenção e devidamente testado.
Mas nem tudo está perdido. O “CD recovery tollbox free”, indicação do sogrão, vai me salvar!
Agora, por que isso aconteceu? Que estresse! Parece perseguição. Tantos dias perdidos… Coisa que detesto é perder tempo, isso me dói.
Dentro do peito afogada
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Maria da Poesia, Para ler e viajar on 26 de janeiro de 2010
Embora todas as expectativas, não entendi por que esse mês foi tão difícil pra mim.
Não é problema com o meu amor, esse vai muito bem, obrigada!
É comigo mesma, é com o mundo, com tudo que ainda não é. É com o trabalho, com a minha independência.
O problema maior é com o meu nariz que ainda não é totalmente meu. Que ironia! É esse signo da falta, como diria a Maria Rezende.
A minha vida está atrasada e o tempo se esvaindo sem dó nem pena.
E até pra expressar essa dor, essa ansiedade, esse medo de não viver o que tanto quero, encontrei uma poesia no Bendita Palavra:
DENTRO DO PEITO AFOGADA
choro lágrimas tortas
choro as certezas mortas
na calmaria da cama
O chão coalhado de dúvidas
tropeça meus pés vermelhos
se levanto, cambaleio
se deito evaparo no ar
Feito um bicho no escuro
mas curva que aconchegada
desentendo a dor que sinto
desentendo o mundo todo
e seu estúpido funcionamento
Quero o ’sim’ que hoje não veio
quero amanhã confirmado
e não importa se virá
A vida é um eterno arriscar-se
é o intervalo dos planos
e o pra sempre é outro dia
sempre longe, sempre lá
Eu quero o aqui e o agora
Quem googla, acha!
Posted by Renata Fern in Bem à vontade on 20 de janeiro de 2010
O google realmente é um oráculo. Olha só que história doida. Quando comecei a fazer faculdade veio parar aqui no meu bairro uma família, no mínimo, excêntrica. Pai astrólogo, madrasta gente boa e cinco filhos, todos meninos lindos e roqueiros. O mais velho virou meu amigo. Pra falar a verdade não éramos bem amigos. Eu, mais velha do que ele uns três anos, namorava sério um menino da faculdade. Sério no sentido de que o meu coração batia por ele, mas devido a tantas briguinhas, idas e vindas, não deixei de olhar para os lados. Na época tinha remorso disso… Talvez remorso não seja a palavra apropriada, tinha mesmo era um falso moralismo em relação à seriedade da nossa relação. Numa turma onde todo mundo se pegava (sem sacanagem, era o carrossel da alegria!) e só eu namorava o mesmo cara desde sempre, que apenas me namorava sem maiores pretensões, daí toda a minha irritação, eu acabei traindo algumas vezes, pensando nele, claro! Uma coisa assim bem filha da puta! Eu pensava nele quando a coisa começava e depois no dia seguinte. Porque durante… eu só queria saber de aproveitar quem estava ali comigo e viver intensamente o meu sexy appeal. O bobão do meu namorado mal sabia que quando me dava bolo, os meninos aproveitavam e faziam fila na porta. E a fila só não era maior, porque eu era uma bobona apaixonada, filha da puta, mas apaixonada e resistia bravamente a maioria. Mas não dava bola pra qualquer um não! Foi aí que entrou na minha vida o filho mais velho do Clã Harres.
Eu me lembro que ele tinha uma cara de menino mau, um jeitão sisudo, que no fim das contas era o seu maior charme. Loiro até não poder mais, pele branca, cheiro de CK one, sempre, sempre com um olhar cumprido pro meu lado! E ele me tratava tão bem, mas tão bem que até cogitei certa vez jogar o meu namorado pro alto e ficar com o João pra valer!
Só que bobeei feio! A nossa diferença de idade era de apenas 3 anos e eu tinha vergonha disso. Pegar o pirra, tudo bem, mas namorar o pirra, nem pensar! Ai que ódio quando me lembro disso! Fui muito burra! Empurrei o meu namoro estressante até o fim da faculdade e perdi o João, que adorava sair comigo de carro e, entre muitos beijos, olhar as estrelas.
Óbvio que um dia ele se cansou de mim e como eu tinha contado tudo sobre o João para as minhas amigas desesperadas por um romance, ele entrou naquela fase de poder escolher. Nunca senti ciúmes. Porque sabia que bastava um simples gesto e o João era meu, como aconteceu nas poucas vezes que testei, sem que eu desse o devido valor.
Em seguida, me formei, consequentemente aquele meu namoro chatésimo acabou-se, o João por sua vez começou a namorar firme uma menina da turma dele, que segundo os próprios amigos dele era uma ciumenta insuportável e assim fomos perdendo a convivência, o contato.
Um belo dia soube que a família Harres inteira tinha se mudado de Nogueira. Perguntei por ele e me disseram num tom meio revoltado que ele tinha surtado, doado suas roupas caras e que circulava por aí numa onda meio hippie. Entendi nada.
Passaram-se anos e nada de esbarrar com o João nas ruas. Nenhuma notícia. A lembrança dele vinha à tona quando encontrava um dos amigos dele daqui de Petrópolis, fora isso ele quase caiu no esquecimento. Eu disse quase porque, olha só que loucura, há uns meses, não me lembro agora exatamente o que me lembrou o João, só sei que fiquei com ele na cabeça, como se fosse uma cisma. Caramba, no mundo de hoje, como assim fico sem notícias do João? Googlei. E encontrei. Hahaha… Como não tive essa ideia antes? Como? O fato é que já fizemos contato, ele está ótimo, lilás, melhor impossível, e o único surto que ele teve foi de inteira lucidez. Ele retomou uma tradição familiar, iniciando-se no xamanismo indígena e atua como elo entre as tribos dos USA, México e Brasil. E é óbvio que ele não abandonou a música: www.wildartists.com
Aquele menino, que não é mais um menino, embora pra mim sempre será, hoje corre pelo mundo afora comprometido socialmente.
Salve google!
Salve João!
Pense no Haiti, reze pelo Haiti…
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para curtir, Para enlouquecer on 18 de janeiro de 2010
Desde terça-feira passada quando soube do terremoto que destruiu completamente o Haiti, só consigo pensar no quanto eles são desgraçados.
Não queria usar essa palavra ‘desgraçado’, mas não consegui encontrar outra que traduzisse tamanha infelicidade, infortúnio, miséria, angústia, desastre, revés etc.
Como se não bastasse todo o histórico, ainda aconteceu mais essa. Lá a desgraça sempre chegou a galope.
Fico pensando se, depois de tudo, ainda existe algum haitiano com fé em Deus.
Talvez os que ainda estão vivos debaixo dos escombros pensem em Deus com toda força do seu ser.
Mas e aqueles que sobrevivem àquela constante humilhação diante da pobreza, da fome, da dor, de nenhuma oportunidade digna, e agora diante do tapete de milhares de mortos?
Não sei. Não sei mesmo o que sentiria se fosse um deles. Não sei o que me motivaria diante da falta de tudo, da pobreza extrema.
Não consigo imaginar o que é perder todos os familiares e amigos de uma só vez, perder a voz da esperança de Zilda Arns e a de tantos outros missionários, vagar sem teto e agora sem chão, sentido o cheiro pútrido de tudo e todos que até então resistiam.
E misteriosamente o Cristo crucificado da igreja de Sacré Coeur permaneceu de pé.
O que isso significa?
(…)
Em pensar que essa realidade dura do Haiti, agravada por acidentes naturais, existe até aqui no Brasil.
♫ E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
Aniversário do meu filhote
Posted by Renata Fern in Bem à vontade on 10 de janeiro de 2010
É John-John! Prometo que um dia, bem breve, vamos correr na praia juntos. Aguenta firme!
Feliz aniversário para o cachorro mais amado do mundo!
3 anos de alegria e cumplicidade!
Que réveillon!!!
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para amar, Para ler e viajar, R & R on 6 de janeiro de 2010
Antes de mais nada…
>>>Feliz Ano Novo<<<
Que todos os próximos dias sejam felizes! Mais felizes que esses que ficaram para trás. Que possamos viver cada vez melhor uns com os outros! Porque é assim que se vive bem, em harmonia com tudo e todos.
Desde o ano retrasado ando numa fase tão boa, mas tão boa, que às vezes fico na dúvida se é real ou fantasia. Que nada! Foi tudo verdade, virei mestre na arte de me surpreender. Passo o tempo todo repetindo no meu pensamento COISAS BOAS ACONTECEM!!! COISAS BOAS ACOTECEM!!! E acontecem mesmo. Não duvidem. Só é preciso um olhar mais demorado.
Quero falar do réveillon mas não sei se vou conseguir descrever como foi a noite da minha virada. Eu estava no melhor lugar do mundo, na companhia da pessoa que mais amo! Entenderam? Eu estava no melhor lugar do mundo que era ao lado da pessoa que mais amo! E amo tanto, mas tanto… Comecei o ano com o pé direito e com o coração tão tranquiiiilo que não me lembro de ter feito um pedido Hahaha… Lilás, o que mais poderia desejar naquele momento? Impossível racionalizar alguma coisa, só me deixei levar por aquela emoção.
Gozado que, quando o dia amanheceu, fiquei meio paranóica. Acho que foi a primeira vez que virei o ano sem desejar nada naqueles primeiros átimos. Perguntei várias vezes: Big, o que foi que você pediu? E mesmo ele respondendo, me parecia inacreditável. Fiz a mesma pergunta várias vezes e ele me olhava com aquela serenidade que lhe é peculiar e dizia: Rê, saúde, paz e amor. E concluía todo vivaz: Para nós dois! Ele respondeu desse jeitinho todas as vezes que perguntei.
Para nós dois! Para nós dois! Para nós dois! Era o que ecoava na minha cabeça o tempo todo.
Deus do céu! Era isso, exatamente isso, que sempre desejei. Estar em alguém! E agora quando olho para o Big minha cabeça parece Copacabana sob um céu explodindo cores sem parar. De vez em quando até rola uns flashes dos nossos beijos, dos nossos abraços, do nosso brinde, de nossos vários momentos juntos, dos amigos ali presentes… Mas esse sentimento de constatação de um pedido de amor realizado é maior do que eu, é infinito, infinito como as ondas do mar.
Ah o mar! O que seria do primeiro dia do ano sem um banho de mar? Sem aquele sol, sem aquele sal?
Ainda havia tempo, muito tempo para furar as tais sete ondas. E foi lá na praia do Leblon que furei todas as ondas que pude e mais um pouco. Sabe como é, exagerar é o forte da casa. Perdi as contas. Na verdade eu não só precisava de um banho de mar como não queria mais sair da água, ainda mais com o Rodrigo ali comigo. Foi uma delícia inesquecível! O primeiro de muitos mergulhos com o meu amor. Até ele, que não é chegado, amou!
O curioso é que já estive tantas vezes naquela praia e nem por isso deixei de me embasbacar novamente com aquela paisagem. Diante do mar, com os pés no chão sob um céu de infinitas possibilidades eu estava em estado de graça.
Aos poucos o céu foi se transformando, estávamos diante do primeiro espetáculo vespertino – o por do sol. Olha, foi um desbunde tão grande, que como se não bastasse aquele tom de vermelho meio pink meio laranja no meio daquele azulão, as nuvens se movimentaram de uma maneira tão única, que me pareceu uma aurora boreau. Sabe como é, quando estou feliz tudo é intensificado ao máximo.
A caminho de casa, me veio à tona mais uma lembrança de um trecho do livro Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Impressionante como cada capítulo se encaixa na minha vida perfeitamente desde que comecei a sentir esse amor, essa consciência de mim mesma. É como se esse livro tivesse arrematado o meu amadurecimento como mulher. Tirando a parte dos “goles grandes” (quem é louco de beber água do mar hoje em dia?), considerando a companhia do meu amor e a frase que, na minha opinião, sempre definiu bem o prazer de viver, num clima meio libertino, sexualmente falando mesmo ‘de sol, de sal e de mar’, eis o trecho sensacional:
Uma dica para amar VII -
Brilhando de água e sal e sol
“Com a concha das mãos e com a altivez que nunca darão explicação nem a eles mesmos com a concha das mãos cheias de água, bebe-a em goles grandes, bons para a saúde de um corpo.
E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem.
Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal que seca, as ondas lhe batem e voltam, lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto.
Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois já conhece e já tem um ritmo de vida no mar. Ela é a amante que não teme pois que sabe que terá tudo de novo.
O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: ela está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer: quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate, volta. A mulher não recebe transmissões nem transmite. Não precisa de comunicação.
Depois caminha dentro da água de volta à praia, e as ondas empurram-na suavemente ajudando-a a sair. Não está caminhando sobre as águas – ah nunca faria isso depois que há milênios já haviam andado sobre as águas. Às vezes o mar lhe opõe resistência à sua saída puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera.
E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água e sal e sol. Mesmo que o esqueça, nunca poderá perder tudo isso. De algum modo obscuro seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe – sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.”
Esse foi O banho de mar e o meu melhor réveillon!!! Engraçado que sempre senti no meu Big um cheiro de maresia… tão sadio, tão atraente quanto o mar.
Bem, queridos, está sendo assim a minha vida, boa pra caramba! Sinto que se eu não me lançar, não me arriscar todo dia, vou perder a melhor parte – a cereja do bolo!!!
E você aí? Ainda não se habituou a viver?
O por do sol é quem vê! (Millôr)
VIVAMOS 2010 INTENSAMENTE
O tempo voa… (II)
Posted by Renata Fern in Bem à vontade on 26 de dezembro de 2009
Mensagem de final de ano repetida? Sim. Desculpem-me mas não consigo ter outro pensamento nessa época. É o tempo que voa, é a vida que às vezes ou quase sempre parece não ter sentido… Só se sabe que tudo continua sob um alicerce que pode ser chamado de fé, esperança, vontade, amor, verde, água, filhos e por aí vai. As nossas rugas são provas existenciais!!!
… mas para onde ele vai, ninguém sabe, pelo menos, até chegar lá.
E assim foi o ano de 2009 que passou de todas as maneiras possíveis com um fim que ninguém ainda entende, percebe ou alcança.
Trouxe vida, morte, festejou, guerreou, sorriu, chorou e agora quer se renovar. E nem se importa com o que passou. Simplesmente, insurge-se.
Anuncia o réveillon como quem aparece com um visual novo, dizendo, forçando, empurrando, insistindo: é daqui para frente. Haja o que houver, é daqui para frente: viva!
Vivamos!
Que venha o novo dia, o novo ano! O amanhã é sempre entusiástico!
Queridíssimos,
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para amar, Para ler e viajar on 23 de dezembro de 2009
Já disse aqui que adoro essa época? Se não, lá vai: Adoro final de ano!!! Principalmente desse que começou tão sem graça e agora vai-se embora em alto estilo.
Balanço final positivo, grandes expectativas, espírito diariamente renovado… Não que tudo tenha sido perfeito, o motivo da alegria não é esse. Mas foi quase. Quase! E cada vez estou mais perto do estado que sequer sei definir. Talvez esteja no começo de um estado de graça, exatamente como aquele que a Clarice descreveu em O livro dos prazeres – o estado de graça de uma pessoa comum que de súbito se torna real, porque é comum e humana e reconhecível e tem olhos e ouvidos para ver e ouvir as descobertas indizíveis e incomunicáveis:
Uma dica para amar VI – Estado de graça
“… Ao contrário de Eva, ao morder a maçã entrava no paraíso.
Só deu uma mordida e depositou a maçã na mesa. Porque alguma coisa desconhecida estava suavemente acontecendo. Era o começo – de um estado de graça.
Só quem já tivesse estado em graça, poderia reconhecer o que ela sentia. Não se tratava de uma inspiração, que era uma graça especial que tantas vezes acontecia aos que lidavam com arte.
O estado de graça em que estava não era usado para nada. Era como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existia. Nesse estado, além de tranquila felicidade que se irradiava de pessoas lembradas e de coisas, havia uma lucidez que Lóri só chamava de leve porque na graça tudo era tão, tão leve. Era uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Que não lhe perguntassem o que, pois só poderia responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se.
E havia uma bem-aventurança física que a nada se comparava. O corpo se transformava num dom. E ela sentia que era um dom porque estava experimentando, de uma fonte direta, a dádiva indubitável de existir materialmente.
No estado de graça, via-se a profunda beleza, antes inatingível, de outra pessoa. Tudo, aliás, ganhava uma espécie de nimbo que não era imaginário: vinha do esplendor da irradiação quase matemática das coisas e das pessoas. Passava-se a sentir que tudo o que existe – pessoa ou coisa – respirava e exalava uma espécie de finíssimo resplendor de energia. Esta energia é a maior verdade do mundo e é impalpável.”
Que 2010 supere nossas expectativas! Que todos nós sejamos mais otimistas, conscientes e humanos! Afinal, a vida não é de se brincar, em pleno dia se morre.
Não sei quando escreverei neste blog novamente. Quero aproveitar a folga no trabalho curtindo cada segundo offline LÁ FORA, sentindo tudo que tenho direito.
E muito obrigada por todos os emails desejando feliz natal, boas festas, boas entradas… Obrigada por todas as demonstrações de carinho. Vocês são demais!!!
Saúde, paz e amor!
É o que desejo
superlativamente,
hoje e sempre,
Renata
Só deixo meu coração…
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para curtir on 18 de dezembro de 2009
Presentes com calor humano :)
Posted by Renata Fern in Bem à vontade, Para ficar bem on 16 de dezembro de 2009
Não posso deixar de registrar aqui um manifesto que me impressionou muito há uns dias. Uma atitude inteligente e acima de tudo humana, que vem como solução pra todo esse consumismo exacerbado de fim de ano (e início e meio, por que não?). E tomara que essa moda pegue, ou melhor, que isso vire uma tendência!
Acho até que não será difícil porque o povo brasileiro é solidário por natureza, muitos já agem assim espontaneamente, graças a Deus! Mas vamos ao que interessa, olha só que bacana:
Outro dia li no blog da Maffalda um manifesto sobre um Natal sem presentes, que na verdade era uma desbragada lista de desejos. Falando assim parece incoerente, mas quem dera que todos tivessem os mesmos desejos! O mundo seria menos poluído, o dinheiro seria mais útil e todos teriam saúde mental acima do padrão.
Esse manifesto nada mais é do que uma receita pra simplificar a vida. Nossa! Como amei essa definição! Adoro estilos pragmáticos!
A filosofia à la Maffalda é muito simples: Toda vez que você pensar em comprar algum objeto, pense em como carregaria essa coisa em caso de mudança, se ainda assim se sentir empolgado, compre, senão, abandone essa ideia consumista!
E como isso tem a ver comigo! Sou uma pessoa cada vez mais simples por livre espontânea pressão, porque é óbvio que sinto vontade de sair comprando a torto e à direita, mas meu dinheiro nunca foi capim. Todas as vezes que gastei de maneira irresponsável, acabei me arrependendo depois. Fora esse choque que a sociedade deflagra todos os dias. Você vai pra rua bem vestida, alimentada, limpa, linda e passa por um monte de mendigos maltrapilhos, pobres miseráveis de cortar o coração, tirar o apetite. E muitas paisagens já não são mais vistas, se perderam nas selvas de concreto ou em meio à poluição. Por mais que eu tenha desejos fúteis, não dá pra ser indiferente a essa realidade.
São nessas horas que chego em casa e arrumo as gavetas, ou melhor, esvazio as gavetas. Deixo apenas o necessário. Minhas roupas duram aaanos, não compro nada carésimo, só troco de celular quando não há outro jeito, volta e meia planto uma árvore, não me iludo com os comerciais, enfim.
Cada vez valorizo mais o calor humano. Gosto de presença, de beijo, de abraço, de coisas pessoais ou sensacionais, gosto do que rende, que é generoso, que é bom pra todo mundo, que é possível dividir.
A Maffalda citou vários exemplos de presentes inteligentes no blog dela, incluindo um que com certeza vou imitar: Dois amigos pediram doações a instituições de caridade como presente de casamento. Achei fan-tás-ti-co pelos seguintes motivos:
Que me desculpem os adeptos aos famosos chás de panela, mas não há nada nesse mundo mais cafona, constrangedor do que isso, na minha opinião, especificamente quando vem de um casal com grana, de um casal capaz. Sei que é muito difícil começar a vida a dois economicamente falando. Montar uma casa não é nada fácil. Mas daí a pessoa escolher os presentes que quer ganhar, muitas vezes impondo até a loja, francamente!!! É muito fácil fazer bonito com o chapéu dos outros né não?!
Que eu saiba presente sempre foi e sempre será uma surpresa espontânea entregue em mãos, de preferência. Até posso combinar com os meus pais isso ou aquilo, mas é um assunto que ficará entre família e não estendido a todos os meus amigos.
Tenho certeza que essa ideia do chá surgiu com algum casal sem eira e nem beira nessa vida, à base de meio ou zero salário mínimo, que contou com a solidariedade dos amigos pra começar uma vida em comum. O que é muito digno! E muito provavelmente essa iniciativa partiu dos respectivos amigos.
Agora por que daí em diante a ideia descambou, não sei! Já me deparei com cada lista vergonhosa de casal de classe média alta, ambos muito bem empregados, pedindo de freezer, notebook, iPhone a roupão de banho. Não sei como tiveram coragem, sinceramente! Acho o cúmulo da cara de pau!
Aviso de antemão que no meu casamento não vai ter esse mico de lista não! Quero meus amigos bem à vontade pra me presentearem como bem entenderem e SE quiserem. E aos que ligarem e perguntarem “e aí, de que vocês estão precisando?” Vou sugerir a tal doação à instituição de caridade e ponto final.
Incrível como certas pessoas se deixam enfeitiçar pelas vitrines, pelos comerciais. Não vejo por que acompanhar todos os lançamentos!
Bem, pra quem não clicou no link do blog da Maffalda acima, segue a lista da Maffalda com sugestões ótimas de presentes que vale pra todo mundo:
Presente pra quem não quer presente
- Compráveis: Se você quer mesmo me dar uma coisa comprada, tente achar algo que seja diferente. Artesanato, ou algo consumível, como chocolate ou bebidas. Ou livros, que são sempre uma boa pedida, comprados à loja do seu bairro para fugir dos monstruosos shoppings.
- Seus trens: Sim, eu quero suas tralhas. Se você não usa e acha que vou gostar, explique por que e adorarei ter algo para lembrar de você. Mas não se engane: se for um elefante branco, vai ser reciclado sem muito dó!
- Sebo/brechó - Em vez de comprar algo novo, compre uma coisa de sebo ou brechó. Vou gostar, desde que não tenha cheiro forte de poeira (eu sou alérgica).
- Tempo:
- Ensine-me – Tem um monte de coisas que não sei fazer: cantar, cozinhar, dirigir… Pessoas talentosas podem doar seus esforços, embora em Minas digam que “burro velho não pega marcha”.
- Sirva-me – Cozinhar pra mim, consertar meu computador, me dar uma carona, me ajudar a me organizar… Ofereça e juro que não serei muito mandona (só a pedidos). E pode ser o crédito, não precisa ser agora, durante as férias.
- Momentos bons – Jantar, beber, andar na praia, conversar, tomar café, ler o jornal juntos, ir ao cinema ou ao teatro… Tá valendo! Outro dia li sobre uma turma de amigos que faz um brunch de domingo e cada um combina de levar um jornal, e as pessoas passam a manhã assim, jogando conversa fora e lendo notícias…
- Caseiros: Sou contra essas idéias de artesanato onde você transforma uma coisa que você não quer em outra de que não precisa. O resultado final em geral não é lá essas coisas e o tempo gasto adiciona ao stress. Pense em algo que seja fácil e você sabe que vai sair bom, como juntar as suas músicas preferidas numa playlist, ou um caderno de receitas tão simples que até eu posso fazer (ó o desafio!), ou impressões das fotos mais embaraçosas do ano que passou.
- Fotos – Imprima as mais legais, ponha legendas. Ou coloque num álbum online bem cuidado…
- CDs – Ou um pendrive com músicas bacanas.
- Performance – Cante, dance, sapateie, represente.
- Arte – Mas nada que quebre.
- Pontos de dharma/crédito universal: Seguindo o exemplo da Vera e do Zander… Se quiser fazer uma boa ação pensando em mim e me dar um abraço depois, ajude o pessoal lá de Santa Catarina, que a coisa está feia. O blog AllesBlau tem mais informações e este mapa tem alguns pontos de coleta de donativos. Quem quiser ajudar o pessoal aqui de perto pode contribuir com a Casa do Oleiro, cujo trabalho sério eu tenho acompanhado de perto.
Demais, não?!
Da Renata,
Que em breve lançará sua listinha de presentes e perspectivas 2010.
Até Sempre!

























Ping-Pong