No início da semana passada, chamei um técnico em informática pra vir aqui em casa instalar o novo modem da velox (Oh yes! Agora eu tenho velox!).
O garoto, que já era conhecido de uma outra vez em que o meu PC deu pau, fui obrigada a tratar bem porque afinal de contas sem ele eu não teria velox. Ele é amigo de um técnico da Oi, que me cobrou 300 pratas pra mudar sei lá o quê na caixa de telefone e tornar possível o meu acesso ao serviço.
Careiro o filho da mãe, não?
Como estava fazendo um frio de congelar, ofereci um café, mais por pena do que simpatia, já era tarde, o garoto tinha se predisposto a vir até aqui depois do expediente de trabalho de moto ainda por cima, um café quente era o mínimo.
Entretanto, o que levaria cinco minutinhos, levou quase uma hora e meia em vão. Tempo suficiente pra ficar sabendo que ele é filho de uma amiga da minha mãe da igreja e amigo de um primo meu também. Trelelês à parte, o garoto ficou de voltar no dia seguinte com os ‘códigos certos’.
Eu ainda vou entender de informática, juro!
Três dias depois, aparece o garoto. Já não está tão frio e eu menos simpática, quase quinze dias sem internet. Abro o portão, espero o garoto descer da moto pra acompanhá-lo até o PC e sou surpreendida com dois beijinhos no rosto e um abraço em vez de um aperto de mão.
Na hora me lembrei daquela frase do meu amigo Paulão: Dá dinheiro, mas não dá confiança.
Até aí tudo bem.
Em cinco minutinhos, o garoto, que estava mais falante do que das outras vezes numa linguagem pra dentro que me fazia entender com muito custo as palavras proparoxítonas, ajeitou tudo só faltando otimizar a minha máquina.
Trinta minutos depois, tudo certo, o garoto já estava com o cheque na mão, pronto pra ir embora com o capacete debaixo do braço, até que esta pessoa que vos fala resolve ser mais simpática: Então Paulo, já sei onde te encontrar, caso algum dia você não me atenda. Amigo do meu primo, filho da amiga da minha mãe… Tendo que ouvir de volta: Que isso! Como não vou atender a prima mais bonita do meu amigo! O garoto deu até uma impostada na voz pra soltar esta pérola.
Depois dessa, soltei aquele meu sorrisinho sem graça e antes que ele me abrisse os abraços de novo, caminhei na frente e já fui abrindo o portão pra ele sair logo com a moto.
Na boa, o que passa na cabeça de certas pessoas? O garoto era até bonitinho, mas com o maior jeitão de jeca tatu. E mesmo que ele fosse todo lindo e maravilhoso, por que de repente achou que poderia me abraçar, me dar uma cantada dentro da minha casa, praticamente na frente dos meus pais?
Fiquei encucada com isso.
Juro que ele me cantou mesmo, sem pretensão da minha parte. Percebi que o semblante dele mudou. Os olhinhos brilhavam. E eu só o tratei com educação.
Que cara de pau!
Os jecas são mais audaciosos do que imaginava.